Uruguai libera excedente de cota de carne bovina para o Brasil vender à China
Medida pode ampliar espaço para frigoríficos brasileiros no mercado chinês, mas transferência ainda depende da aprovação do governo da China
O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026. O anúncio foi feito pelo presidente brasileiro após encontro com o presidente uruguaio Yamandú Orsi, realizado em Nova York, durante a programação relacionada à Assembleia Geral da ONU.
A negociação ocorre em um momento importante para a pecuária brasileira. A China estabeleceu para 2026 uma cota de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira sujeitas às condições tarifárias regulares. O limite foi consumido rapidamente diante do ritmo dos embarques. A partir do volume que ultrapassar a cota, incide uma tarifa adicional de 55%, além da tarifa de importação de 12%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.
O Uruguai possui sua própria cota para abastecer a China e não deve utilizar todo o volume disponível. Segundo informações publicadas pela Globo Rural, fontes do mercado estimam que cerca de 80 mil toneladas poderiam ser disponibilizadas ao Brasil. O volume corresponderia aproximadamente a um mês de embarques brasileiros para o mercado chinês. Entretanto, a transferência não é automática: como as cotas são administradas pelo governo chinês, o aproveitamento do saldo uruguaio por frigoríficos brasileiros depende da concordância da China.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou positiva a busca por alternativas que ampliem o acesso da carne brasileira ao mercado chinês, mas avaliou que o impacto poderá ser limitado ainda em 2026. Entre a negociação, o embarque e a chegada da mercadoria à China são necessários meses, o que reduz a janela disponível neste ano. Para 2027, porém, a entidade considera a alternativa mais relevante, principalmente porque a cota brasileira será de 1,128 milhão de toneladas e poderá novamente se esgotar rapidamente caso o atual ritmo das exportações seja mantido.
A negociação interessa diretamente ao agronegócio brasileiro, inclusive à cadeia pecuária de Mato Grosso do Sul, um dos importantes polos produtores de bovinos do país. No entanto, os efeitos concretos sobre frigoríficos e pecuaristas dependerão do volume efetivamente autorizado e, principalmente, da decisão chinesa sobre a possibilidade de utilização de parte da cota uruguaia pelo Brasil. Por isso, neste momento, a medida deve ser tratada como uma autorização concedida pelo Uruguai, e não como uma transferência de cota já efetivada perante a China.