Soja: produtor de MS segura venda à espera de reunião Trump-Xi

Dólar a R$ 5,17 e queda em Chicago travam negócios físicos nesta quarta; expectativa é sobre encontro entre EUA e China nesta quinta-feira

Por

Fotokannan/Wikimedia Commons (CC BY)

O produtor rural de Mato Grosso do Sul passou a quarta-feira, 23 de setembro de 2026, no aguardo: em vez de fechar negócio, resolveu segurar a soja no armazém e esperar uma oferta melhor, movimento que se repetiu nas principais praças do país e deixou o mercado físico brasileiro praticamente parado. A explicação está tanto na queda dos contratos futuros em Chicago quanto na disparada do dólar, que fechou o dia cotado a R$ 5,1684 na venda, alta de 1,28% na sessão.

Por trás da cautela generalizada está uma reunião marcada para esta quinta-feira, 24 de setembro, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. O mercado trabalha com a possibilidade de a China anunciar novas compras de soja norte-americana e até a retirada da tarifa de importação de 10% sobre o produto — um cenário que, se confirmado, pode redesenhar o fluxo global de negócios e mexer diretamente com o bolso de quem planta soja no Centro-Oeste brasileiro.

Por que o negócio físico travou

"Não tivemos grandes variações hoje e também não houve reporte de negócios firmes ocorrendo", afirma o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira. Segundo ele, a liquidez apertada é o principal fator que está represando as negociações: com poucos compradores dispostos a pagar o preço que o produtor quer, e com o produtor sem pressa para vender, o resultado é um mercado que patina, com cotações mistas entre regiões.

Em Chicago, os contratos com entrega em novembro fecharam a US$ 13,18 por bushel, recuo de 7,50 centavos de dólar, enquanto a posição de janeiro caiu para US$ 13,33 3/4 por bushel. Os subprodutos também amargaram perdas: o farelo com vencimento em dezembro fechou a US$ 370,60 por tonelada e o óleo, a 67,81 centavos de dólar. Um dado que ajuda a entender a pressão vinda da China: a estatal Sinograin promoveu na terça-feira, 22 de setembro, seu segundo leilão de grande escala do mês, com a venda de mais de 500 mil toneladas de soja importada — sinal de que Pequim segue comprando, mesmo em meio à expectativa pela reunião de amanhã.

O que está em jogo para o produtor sul-mato-grossense

Para quem produz em Mato Grosso do Sul, o momento reforça a lógica que já vinha se desenhando nas últimas semanas de negociação: cada centavo de variação em Chicago e cada solavanco do dólar mexem diretamente com a equação de quanto vale a saca guardada no silo. Como o MSConecta já mostrou, a alta do preço em Chicago abriu espaço para o produtor de MS travar preço em outros momentos do ano, e o estado tem histórico de liderar em eficiência de produção, mas perder competitividade pela logística até os portos.

Com o dólar em alta, o exportador brasileiro ganha um fôlego extra de competitividade, mas o produtor que ainda não vendeu segue de olho no resultado da reunião entre Trump e Xi Jinping. Uma eventual retomada das compras chinesas de soja americana tende a aliviar parte da pressão sobre os preços internacionais — o que, na ponta, é o que decide se vale a pena abrir o silo agora ou esperar mais algumas semanas.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL