Soja avança 25% no Sul de MS, mas trava abaixo de 1% no Norte
Chuvas irregulares seguram plantio na região Norte do Estado, enquanto Centro e Sul aproveitam umidade do solo para acelerar a semeadura
MELQUIZEDEQUE ALMEIDA/Pexels
O produtor sul-mato-grossense encara um começo de safra 2026/2027 de duas velocidades. Enquanto lavouras no Sul do Estado já têm 25,3% da área plantada com soja, segundo o Projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS, a região Norte mal tirou a semeadora do galpão: o plantio ali não passa de 0,4% da área prevista.
A diferença tem explicação no solo e no céu. Nas regiões Sul e Centro, chuvas mais regulares garantiram a umidade necessária para arrancar o plantio com ritmo. No Norte, a estabilização das precipitações ainda não veio, e isso atrasa uma operação que depende diretamente de janela climática favorável para não comprometer a germinação.
Produtor mira segunda quinzena de outubroNo balanço estadual, a média de Mato Grosso do Sul chega a 18% da área de soja já semeada, com o Centro registrando 11,4%. É um avanço puxado praticamente pelas regiões onde a chuva colaborou, enquanto o Norte segue como ponto de atenção no calendário agrícola do Estado.
"No Centro-Sul, a condição de umidade tem permitido uma evolução mais rápida das operações, enquanto a região Norte ainda depende de uma regularização das chuvas. Para o produtor, o acompanhamento das condições de solo e das previsões climáticas continua sendo fundamental para definir o ritmo das operações e reduzir os riscos durante a implantação da lavoura", afirma Lucas Santana, analista técnico da Aprosoja/MS.
A previsão da entidade é que o plantio no Norte ganhe fôlego a partir da segunda quinzena de outubro, caso as chuvas se normalizem na região. Até lá, o risco é de compactação do calendário, com produtores tendo menos tempo para semear dentro da janela ideal.
Área recorde e milho de segunda safra praticamente encerradoO Projeto SIGA-MS projeta 4,874 milhões de hectares de soja no Estado nesta safra, alta de 5,5% sobre o ciclo anterior, com produtividade estimada em 52,4 sacas por hectare e produção prevista de 15,331 milhões de toneladas. São números que reforçam o peso de Mato Grosso do Sul no agronegócio nacional, mesmo com o atraso localizado no Norte.
O espaço para essa nova lavoura está sendo aberto justamente pelo fim da colheita do milho de segunda safra, que segundo o levantamento da Aprosoja/MS já atingia 99,96% da área até 2 de outubro, com produtividade de até 184 sacas por hectare em alguns pontos e produção total estimada em 16,253 milhões de toneladas. Restam apenas focos de colheita nas regiões Sul-Fronteira e Sudoeste, o que confirma que o calendário do milho está praticamente fechado e abre caminho total para a soja nas próximas semanas.