Prefeitos de cidades da fronteira de Mato Grosso do Sul reagiram ao alerta de viagem atualizado pelo governo dos Estados Unidos, que colocou áreas localizadas a até 160 quilômetros das fronteiras terrestres brasileiras no nível 4 de segurança, o mais elevado da classificação norte-americana. Na prática, a orientação é de “não viajar” para essas regiões por riscos relacionados à criminalidade e sequestros. Em Mato Grosso do Sul, a faixa alcança municípios próximos ao Paraguai e à Bolívia, entre eles Ponta Porã, Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista e Mundo Novo. Campo Grande não está incluída nessa zona.
O aviso foi atualizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em 31 de agosto de 2026. O Brasil, de maneira geral, permanece no nível 2, que recomenda cautela reforçada, mas determinadas áreas recebem classificação mais severa. O documento cita crimes violentos, como homicídios, roubos armados e roubos de veículos, além da atuação de organizações criminosas. Também aponta risco de sequestro. Para funcionários do governo norte-americano, deslocamentos para áreas dentro dos 160 quilômetros das fronteiras terrestres dependem de autorização especial.
Em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, o prefeito Eduardo Campos classificou a avaliação como um “exagero gritante”. O gestor afirmou que a rotina da cidade não corresponde ao cenário sugerido pelo alerta e descartou, naquele momento, a adoção de medidas específicas pela prefeitura em resposta à orientação norte-americana. Campos também avaliou que a classificação não deve comprometer a imagem ou o turismo do município.
Em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira adotou uma posição mais ponderada. O prefeito reconheceu que a condição fronteiriça exige atenção permanente diante da existência de organizações criminosas e crimes transnacionais, mas defendeu que esses problemas não sejam utilizados para retratar toda a realidade do município. Segundo o gestor, Corumbá mantém atividades econômicas e turísticas e uma relação histórica e cultural com a Bolívia. O prefeito também defendeu integração entre as forças municipais, estaduais e federais para enfrentar os problemas de segurança da região.
O alerta norte-americano é direcionado à segurança de cidadãos dos Estados Unidos em viagem, e não representa uma classificação oficial brasileira sobre a segurança dos municípios. O próprio Departamento de Estado esclarece que seus avisos avaliam riscos sob a perspectiva dos cidadãos norte-americanos. Além disso, a recomendação de nível 4 é aplicada à faixa de fronteira, e não a Mato Grosso do Sul como um todo. A orientação dos EUA possui exceções territoriais no Brasil, entre elas o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, localizado em Mato Grosso
Apesar da repercussão em Mato Grosso do Sul, a regra não foi criada especificamente para a fronteira sul-mato-grossense. A orientação norte-americana alcança áreas próximas às fronteiras terrestres brasileiras de forma mais ampla. No Estado, porém, a extensão das divisas com Paraguai e Bolívia faz com que diversos municípios fiquem dentro do raio estabelecido. O aviso reforça preocupações com crimes transfronteiriços, ao mesmo tempo em que provoca reação dos gestores locais diante do possível impacto da classificação sobre a imagem das cidades e sobre atividades como o turismo e o comércio fronteiriço.