Milho cai quase 7% em setembro em Chicago; e o preço em MS

Relatório do USDA derruba cotação internacional do milho e contamina a B3, mas produtor sul-mato-grossense segura oferta no mercado físico

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Tom Fisk/Pexels

O relatório trimestral de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) virou o mercado de milho de cabeça para baixo nesta quarta-feira, dia 30 de setembro de 2026. Os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) chegaram a operar em alta antes da divulgação dos números e fecharam o pregão com quedas de até 4,07%, arrastando junto os contratos futuros na B3 e reacendendo a pressão sobre um mercado físico brasileiro que já vinha devagar.

O caso chama atenção porque a queda não veio de uma safra maior nos Estados Unidos, e sim do contrário: a produção de 2025 foi revisada para baixo. O que pesou foi o consumo menor do que o esperado, puxado principalmente pela alimentação animal, que deixou sobrar mais grão do que o mercado projetava para o balanço de 2026/27. Esse excedente inesperado foi o gatilho da virada.

Chicago toca mínima de agosto e contamina o Brasil

Durante o pregão, o contrato com vencimento em dezembro chegou a tocar US$ 5,0025 por bushel, o menor patamar intradiário desde 21 de agosto de 2026. Fechou o dia cotado a US$ 5,00, com perda de 4,07%. Os vencimentos seguintes também recuaram: março/27 caiu 3,82%, maio/27 perdeu 3,64% e julho/27 cedeu 3,34%. No acumulado do mês, o tombo passa de 6% em quase todos os vencimentos.

Na B3, o efeito foi imediato. O contrato de novembro/26 fechou a R$ 72,03, com queda de 3,04%, enquanto janeiro/27 recuou a R$ 76,50. No mês, a desvalorização na bolsa brasileira passou de 5% nos contratos mais líquidos, segundo o fechamento das operações desta quarta-feira. Para quem trava preço futuro no Brasil, olhar só o câmbio não basta: a base caiu junto com Chicago.

Produtor segura venda e trava o mercado físico

Apesar do tombo nas bolsas, o mercado físico brasileiro não reproduziu a mesma queda. Produtores mantiveram os preços de oferta distantes do que os compradores estavam dispostos a pagar, o que ampliou o espaço entre as pontas e travou os negócios. É um comportamento típico de quem não precisa vender no desespero e prefere esperar o mercado se ajustar.

O analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, já vinha descrevendo um cenário de baixa liquidez antes mesmo da virada desta quarta-feira: mercado lento, bem abastecido e sem força nas exportações, com o Nordeste inclusive anunciando importações do cereal. Entre as praças acompanhadas no país, a maioria ficou estável ou sem cotação nesta quarta-feira, com queda pontual em polos como Rio Verde (GO), Jataí (GO) e no Porto de Santos (SP), e alta isolada em Sorriso (MT).

Para o produtor de milho de Mato Grosso do Sul, que colhe a segunda safra em meio à corrida do estado para virar polo de etanol de milho, com quase 2 milhões de hectares de eucalipto plantados para abastecer o setor, segundo levantamento do MSConecta, o momento pede cautela redobrada na hora de negociar contratos futuros e physical. A concorrência interna entre indústria de etanol de milho e pecuária por grão, tema que já colocou o estado na posição de 2º maior produtor de etanol de milho do país, tende a amortecer parte do impacto da queda internacional, já que boa parte do grão sul-mato-grossense é consumida dentro do próprio estado, sem passar direto pela exportação.