Mais da metade da produção nacional de adubo fosfatado está paralisada

Alta de mais de 1.000% no preço do enxofre pressiona fabricantes; indústria alerta para risco de novas interrupções a partir de outubro

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Mais da metade da produção brasileira de fertilizantes fosfatados está paralisada, segundo estimativa do Sinprifert (Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes). A entidade, que representa fabricantes responsáveis por 95% dos nutrientes para fertilizantes produzidos no país, alerta que o cenário pode se agravar a partir de outubro, diante da redução dos estoques de matérias-primas utilizadas pela indústria. 

Um dos principais motivos da crise é a disparada do preço do enxofre, matéria-prima usada para produzir ácido sulfúrico e ácido fosfórico, fundamentais na fabricação de fertilizantes fosfatados. Segundo levantamento publicado pelo AgFeed, a tonelada do enxofre custava menos de US$ 100 há cerca de um ano e chegou a aproximadamente US$ 1,1 mil, alta superior a 1.000%. O avanço dos preços está associado também a restrições de oferta e dificuldades logísticas no mercado internacional. 

Grandes fabricantes já reduziram atividades. A Mosaic prorrogou paralisações em unidades de produção e anunciou redução ou suspensão temporária de operações em diferentes estados. Entre as medidas estão restrições nas unidades de Tapira e Catalão, além da hibernação temporária e parcial do complexo de Uberaba. A companhia atribuiu as decisões à instabilidade geopolítica, às dificuldades nas rotas internacionais de navegação e à menor disponibilidade de enxofre.

A EuroChem também enfrenta dificuldades no complexo de Serra do Salitre, em Minas Gerais, inaugurado em 2024 após investimento de aproximadamente R$ 5 bilhões. Em setembro, a companhia confirmou a aprovação de suspensão temporária de contratos de trabalho diante dos desafios de mercado e do encarecimento de matérias-primas. Segundo representante sindical ouvido pelo AgFeed, cerca de 450 funcionários diretos seriam envolvidos no acordo de suspensão temporária. 

A redução da fabricação doméstica acende um alerta para o agronegócio, embora não signifique que metade de todo o fertilizante disponível no Brasil tenha acabado. A estimativa refere-se especificamente à produção nacional de fosfatados, e o país também abastece suas lavouras com produtos importados. Em agosto, a Mosaic projetou que, se as restrições internacionais persistirem, a aplicação de fertilizantes fosfatados no Brasil poderá cair até 30%.

A crise ocorre justamente no momento em que o país busca reduzir sua vulnerabilidade externa. Em 3 de setembro, foi sancionada a Lei nº 15.496/2026, que criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Entre os objetivos estão ampliar a produção nacional, reduzir a dependência de importações, diminuir custos da cadeia agropecuária e garantir maior estabilidade no fornecimento de fertilizantes e matérias-primas para a agricultura brasileira.