Arroba do boi gordo acomoda em MS com frigoríficos menores pressionados

Escalas de abate encurtadas nos frigoríficos de menor porte sustentam negociações acima da média, mas declaração de Lula sobre cotas chinesas traz incerteza ao mercado.

Por

Divulgação

O mercado físico do boi gordo abriu a semana de 21 de setembro de 2026 com preços em acomodação, num movimento que afeta diretamente os pecuaristas de Mato Grosso do Sul — um dos principais estados fornecedores de gado para abate do país. Frigoríficos de menor porte seguem operando com escalas de abate encurtadas, o que ainda sustenta negociações acima da referência média em diversas praças, segundo análise da Safras & Mercado.

O cenário divide o setor entre dois perfis de indústria. Enquanto os frigoríficos maiores contam com o conforto de animais de parceria e confinamentos próprios para manter o abate, as plantas menores enfrentam restrição de oferta — e é justamente essa assimetria que tem impedido uma queda mais acentuada da arroba neste início de semana.

Lula, Uruguai e a dúvida que parou o mercado

O principal fator de atenção desta segunda-feira veio do campo político. O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, afirmou que o dia foi pautado pela declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de o Brasil acessar as cotas não utilizadas pelo Uruguai no mercado chinês — a chamada salvaguarda da China. "De qualquer forma, ainda restam muitas dúvidas a respeito, como qual seria o volume e, principalmente, se haverá anuência chinesa para esse caso", disse Iglesias. Para MS, que tem na exportação de carne bovina para a China um de seus principais destinos, qualquer ampliação de cota pode representar abertura de receita — mas a indefinição ainda impede movimentos mais concretos de precificação.

No mercado atacadista, o ambiente também não oferece espaço para reajustes de preço no curto prazo. A semana começa sem fatores de estímulo relevantes ao consumo, e a carne bovina segue perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, com destaque para os cortes de frango, que têm avançado nas gôndolas. "A semana não apresenta fatores relevantes de estímulo ao consumo e a carne bovina continua perdendo competitividade para as proteínas concorrentes, especialmente para os cortes de frango", reforçou o analista.

Dólar recua e reduz margem de exportadores sul-mato-grossenses

O dólar comercial encerrou a sessão desta segunda com queda de 0,74%, sendo negociado a R$ 5,1069 na venda e a R$ 5,1049 na compra — oscilando entre a mínima de R$ 5,1024 e a máxima de R$ 5,1379 ao longo do dia. Para os exportadores de carne bovina de MS, o recuo do câmbio representa margem menor em reais por tonelada exportada, num momento em que o mercado interno já não oferece tração de preços. A combinação de dólar em queda e commodities sem impulso tende a pressionar o resultado financeiro dos frigoríficos e dos produtores que vendem para o mercado externo nas próximas semanas.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL