Linguiça de Maracaju: Sebrae ensina produtores a usar selo de origem

Encontro em Maracaju mostrou caso da Bala de Banana de Antonina (PR) para ajudar fabricantes a transformar Indicação Geográfica em mais vendas

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Divulgação/SEBRAE/MS
Divulgação/SEBRAE/MS

Quem compra a Linguiça de Maracaju num mercado ou feira dificilmente sabe que aquele produto carrega, desde 2016, um registro do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Para tentar mudar isso e transformar o selo em vendas reais, o Sebrae/MS reuniu produtores e revendedores em Maracaju nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, numa palestra batizada de "Muito Além do Selo: Indicação Geográfica, Branding e a Construção de Valor a Partir da Origem que Gera Valor".

O encontro faz parte do programa Cidade Empreendedora, tocado pelo Sebrae/MS com apoio do Governo do Estado, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e da prefeitura. Para mostrar como um selo de origem pode virar diferencial comercial, os organizadores trouxeram a experiência da Indicação Geográfica (IG) da Bala de Banana de Antonina, cidade do Paraná que já colhe resultados com o reconhecimento do INPI.

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Uma receita que já é patrimônio de Maracaju

A Linguiça de Maracaju não é produto qualquer: leva cortes nobres de carne bovina picados na ponta da faca, especiarias e suco de laranja azeda, numa combinação que virou símbolo gastronômico e econômico do município desde que recebeu o registro do INPI em 2016. O problema, segundo quem participou do encontro, é que o selo ainda é pouco explorado como ferramenta de mercado.

"Usar o selo é, de certa forma, uma garantia para o consumidor, que pode identificar que aquele produto segue normas e regras de qualidade e que tem uma história por trás", explicou a palestrante Rafaela Takasaki Corrêa. Para ela, a Indicação Geográfica ainda é desconhecida da maior parte do público e precisa aparecer mais na comunicação dos produtores.

Do selo ao balcão: o que muda na prática

Durante a palestra, foram discutidos caminhos concretos para dar mais força comercial à IG: ampliar a visibilidade do selo nas embalagens, padronizar a comunicação entre os produtores, reforçar a identidade coletiva da categoria e buscar novos canais de venda fora de Maracaju. A analista da Regional Sul do Sebrae/MS, Vanessa Reis, resumiu o objetivo do encontro.

"A iniciativa busca mostrar como a Indicação Geográfica pode se tornar uma ferramenta estratégica para fortalecer marcas, valorizar produtos regionais e ampliar a conexão entre a origem, a qualidade e a identidade de um território", afirmou. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Agadir Mossmann, reforçou que a prefeitura segue à disposição para manter parcerias que ajudem a levar os benefícios do reconhecimento aos produtores.

A mobilização da categoria é puxada pela Associação dos Produtores da Tradicional Linguiça de Maracaju (Aptralmar), com apoio técnico do Sebrae. Entre os presentes estava a produtora Ana Neri Terra Souza, de família que há mais de 60 anos trabalha com bovinocultura em Maracaju e hoje fornece carne para a fabricação da linguiça, mas já estuda entrar também na produção da iguaria. "Sabemos o quanto a qualidade da carne influencia na produção da linguiça, e desejamos continuar contribuindo para levar o nome de nosso município para o Brasil todo", disse.

Produtores interessados em orientação sobre o uso comercial do selo podem procurar o Sebrae/MS pela Central de Relacionamento, no telefone 0800 570 0800. A entidade também tem atuado em outras cidades do estado com o programa Cidade Empreendedora, como mostrou recentemente o trabalho de aproximação entre produtores e empresários em Maracaju para tratar de acesso a crédito.

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Fontes: SEBRAE/MS; INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI); PREFEITURA MUNICIPAL DE MARACAJU


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