Investidor e empresário sul-mato-grossense Heitor Castro lança livro na Amazon sobre o preço do erro

Em “Amplianismo: a economia do erro”, o autor de Campo Grande explica por que empresas e países ficam cegos quando contar um erro custa caro e parados quando errar custa tudo

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Reprodução/Amazon

O investidor e empresário sul-mato-grossense Heitor Castro lançou na Amazon o livro “Amplianismo: a economia do erro”. A obra, com cerca de 190 páginas e mais de 300 notas de fonte, reúne uma ideia que o autor desenvolve desde 2015 a partir de uma pergunta simples: quando algo dá errado, quem paga?

No Brasil, o livro está à venda em versão digital na Amazon por R$ 24,90 e também pode ser lido sem custo adicional por assinantes do Kindle Unlimited. A versão impressa é vendida pela Amazon dos Estados Unidos, e a obra também chegou às lojas da Amazon na Espanha e na França.

Uma pergunta, duas leis

O nome vem do verbo ampliar: ampliar o número de pessoas que podem errar, contar o erro e tentar de novo sem se arruinar. Segundo o autor, a mesma pergunta serve para entender uma casa, uma empresa ou um país.

A teoria se apoia em duas leis. A primeira diz que quem paga decide quem fala. Quem executa um trabalho costuma ver o erro antes de todo mundo, mas, se é ele quem vai pagar a conta, fica quieto, e o problema cresce até aparecer grande demais. A segunda diz que quem paga decide quem tenta. Onde o primeiro tropeço arruína a pessoa, só tenta de novo quem já tem dinheiro, e o lugar perde justamente quem mais aprendeu.

A régua que fecha o livro cabe numa frase: “Ninguém acima do erro, ninguém abaixo do recomeço.”

“Ser duro com quem decide e leve com quem está aprendendo não é bondade. É inteligência”, escreve Heitor.

Histórias conhecidas, lidas por outro ângulo

O livro usa casos famosos para mostrar as duas leis funcionando. Em meados dos anos 1990, a Nvidia, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo, avisou à Sega que o chip encomendado não ia funcionar. Contar custou o contrato, mas a franqueza garantiu à empresa meses de sobrevivência e abriu caminho para o chip que a salvou. Na Theranos, o caminho foi o oposto: os funcionários que avisaram que os exames de sangue não funcionavam foram vigiados por detetives e ameaçados com processos, e a empresa terminou em escândalo.

Do lado de quem tenta, o exemplo é a Amazon, que perdeu cerca de 170 milhões de dólares com um celular que não vendeu, manteve a equipe que errou e, meses depois, lançou a Alexa.

O recado para o empresário de MS

O ponto mais próximo do leitor sul-mato-grossense está na parte sobre o Brasil. Pela lei atual, uma empresa que vai à falência pode ter as dívidas extintas em três anos. A pessoa comum não tem esse prazo, e o pequeno empresário que assinou como avalista da própria empresa continua preso à dívida mesmo quando o negócio consegue se reorganizar.

Em Mato Grosso do Sul, como no resto do país, a maior parte dos negócios é de pequeno porte, e é nesse grupo que o aval pessoal costuma ser a condição para conseguir crédito. Para o autor, é aí que o país perde gente: quem quebra tentando, e de boa-fé, deveria poder recomeçar, e quem esconde o erro deveria pagar mais.

Do livro para o mundo

As ideias do livro também chegaram à imprensa internacional. Heitor passou a escrever no The Times of Israel, um dos principais jornais de Israel em língua inglesa, onde compara como Israel, Estados Unidos e Brasil tratam quem erra e tenta de novo.

Além do livro, a teoria tem um site próprio, com artigos, casos e um documentário de 35 minutos no YouTube.

Quem é Heitor Castro

Heitor Castro é investidor e empresário, nascido em Campo Grande (MS), com atuação em mais de dez setores e investimentos no Vale do Silício.

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FONTE: MSConecta