Investidor de Campo Grande, Heitor Castro passa a escrever no The Times of Israel
Autor do livro “Amplianismo: a economia do erro”, ele escreve no jornal israelense, onde compara como Israel, Estados Unidos e Brasil tratam quem erra e tenta de novo
Reprodução/The Times of Israel
O investidor e empresário sul-mato-grossense Heitor Castro passou a escrever no The Times of Israel, um dos principais jornais de Israel em língua inglesa, fundado em 2012, em Jerusalém. Ele recebeu um espaço próprio na plataforma de opinião do jornal, no qual explica a tese que desenvolve desde 2015 e que chama de Amplianismo.
Os textos saem em inglês, com publicação semanal, e têm um fio condutor: comparar como Israel, os Estados Unidos e o Brasil tratam quem erra, quem conta o erro e quem tenta de novo.
O que é o AmplianismoO nome vem do verbo ampliar: ampliar o número de pessoas que podem errar, contar o erro e recomeçar. A teoria parte de duas leis, que segundo o autor valem para uma família, uma empresa ou um país.
A primeira é que quem paga decide quem fala. Se contar um erro pode custar o emprego, o silêncio vira a escolha racional, e o problema só aparece quando já é grande demais. A segunda é que quem paga decide quem tenta. Se um fracasso persegue a pessoa pela vida inteira, não tentar de novo vira a escolha racional.
A correção, para ele, cabe numa regra: quem decide paga primeiro. “Ninguém acima do erro, ninguém abaixo do recomeço”, resume.
A teoria está no livro “Amplianismo: a economia do erro”, publicado por Heitor e à venda na Amazon.
O primeiro texto: a Better Place e o WazeO artigo de estreia, “Israel’s Real Advantage: Failure Is Allowed to End” (A verdadeira vantagem de Israel: o fracasso pode ter fim), publicado em 31 de outubro, abre com um contraste de 2013. Em maio daquele ano, a Better Place, empresa de carros elétricos que havia captado mais de 850 milhões de dólares, pediu falência em Israel. Semanas depois, o Google comprou o aplicativo israelense Waze por 969 milhões de dólares, segundo o relatório anual do próprio Google.
“Um país que quer um Waze precisa sobreviver a uma Better Place”, escreve o autor. O texto mostra como os Estados Unidos tratam o recomeço como um acordo desde uma decisão da Suprema Corte de 1934 e como Israel fez duas escolhas nesse sentido: o programa Yozma, de 1993, que usou dinheiro público para atrair fundos privados de investimento, e a lei de insolvência de 2018, que prevê o perdão de dívidas com prazo para quem agiu de boa-fé.
O segundo texto: demissões e novas empresasEm 3 de novembro saiu “Can Layoffs Fuel Israel’s Next Startup Wave?” (As demissões podem alimentar a próxima onda de startups de Israel?). O artigo trata da onda de cortes em empresas de tecnologia israelenses, como a Wix, que cortou cerca de mil pessoas, e a monday.com, que reduziu 20% da equipe.
O ponto de partida é histórico: em 1957, oito cientistas pediram demissão juntos de uma empresa na Califórnia, fundaram a Fairchild e, onze anos depois, dois deles abriram a Intel, que em 1974 instalou em Haifa o seu primeiro centro fora dos Estados Unidos. Para o autor, a inteligência artificial deixa alguns empregos menos necessários, mas também deixa muitas empresas mais baratas de desafiar.
O texto propõe três perguntas, que ele chama de teste do Amplianismo, para saber se um país transforma demissões em empresas novas: dá para viver enquanto tenta? Está livre para concorrer? Se der errado, acaba?
O que isso diz sobre Mato Grosso do SulA comparação com o Brasil aparece nos dois textos e é a parte que mais toca o empresário sul-mato-grossense. Desde a reforma de 2020 da Lei de Falências, a empresa que quebra pode ter as obrigações extintas em três anos. Mas o pequeno empresário costuma conseguir crédito apenas assinando como avalista, e o Superior Tribunal de Justiça já firmou, na Súmula 581, que a recuperação judicial da empresa não impede os credores de cobrarem quem deu o aval.
Na prática, a empresa pode recomeçar enquanto o dono continua preso à dívida. Como no resto do país, a maior parte dos negócios de Mato Grosso do Sul é de pequeno porte, e é exatamente nesse grupo que o aval pessoal é regra. “Israel responde bem às três. O Brasil acerta duas e erra a terceira”, resume Heitor.
Quem é Heitor CastroHeitor Castro é investidor e empresário, nascido em Campo Grande (MS), com atuação em mais de dez setores e investimentos no Vale do Silício. É autor de “Amplianismo: a economia do erro”.
Onde ler- Página do autor no The Times of Israel: https://blogs.timesofisrael.com/author/heitor-castro/
- Artigo 1: https://blogs.timesofisrael.com/israels-real-advantage-failure-is-allowed-to-end/
- Artigo 2: https://blogs.timesofisrael.com/can-layoffs-fuel-israels-next-startup-wave/
- O Amplianismo e o livro: https://amplianismo.com.br
- Perfil de Heitor Castro: https://grupohc.co/heitor-castro/