O Google anunciou sua maior compra de remoção de carbono até hoje em uma parceria com a Terradot voltada às lavouras de arroz brasileiras. O projeto será implementado inicialmente em mais de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul e pretende reunir, no mesmo sistema agrícola, redução das emissões de metano e remoção permanente de dióxido de carbono da atmosfera. O acordo foi anunciado em 16 de setembro de 2026.
A primeira frente envolve uma técnica de irrigação conhecida como molhamento e secagem alternados, na qual os arrozais deixam de permanecer continuamente inundados. Segundo o Google e a Terradot, a prática reduz significativamente as emissões de metano, além de diminuir o consumo de água e os custos dos produtores. A meta contratada é atingir 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente em impacto associado à redução de metano até 2030.
A segunda estratégia utiliza o chamado intemperismo acelerado de rochas. Rocha vulcânica triturada será espalhada sobre os mesmos campos de arroz e, ao se decompor naturalmente, participa de reações químicas que retiram CO₂ da atmosfera e permitem seu armazenamento por períodos prolongados. O Rio Grande do Sul apresenta condições consideradas favoráveis a esse processo, incluindo clima quente e úmido, características dos solos e a proximidade de pedreiras de basalto das áreas agrícolas.
Nessa frente, o Google pretende adquirir 1 milhão de toneladas de remoção permanente de CO₂ até 2040. A combinação das duas tecnologias busca produzir efeitos em tempos diferentes: enquanto a redução do metano pode trazer impacto climático mais rápido, a remoção de CO₂ avança gradualmente à medida que a rocha triturada sofre intemperismo. A Terradot afirma que o projeto é o maior já desenvolvido nessa escala utilizando a técnica de intemperismo acelerado de rochas.
O projeto inicial abrange mais de 200 mil hectares, mas as empresas enxergam potencial de escala muito maior. A iniciativa foi estruturada para servir de modelo replicável nos cerca de 1,5 milhão de hectares cultivados com arroz no Brasil, além de poder futuramente chegar a outras regiões produtoras do mundo. Isso não significa, porém, que toda essa área brasileira já esteja incluída no acordo. A meta é utilizar a experiência desenvolvida no projeto como referência para uma possível expansão da tecnologia.
A parceria entre as empresas não começou agora. Em 2024, o Google já havia anunciado um acordo de longo prazo com a Terradot para a compra de 200 mil toneladas de remoção de carbono, além de investimento na empresa. O novo projeto amplia essa aposta e coloca a agricultura brasileira como campo de testes em grande escala para uma tecnologia que busca transformar o solo agrícola também em ferramenta de combate às mudanças climáticas.