Uma propriedade rural de Jardim, em Mato Grosso do Sul, ganhou destaque nacional por conciliar produção agropecuária, ecoturismo e conservação ambiental. Reportagem publicada pela Globo Rural neste domingo (4) mostra como a Fazenda Cabeceira do Prata, onde funciona o Recanto Ecológico Rio da Prata, adotou práticas voltadas à proteção dos recursos naturais, especialmente das águas cristalinas do Rio da Prata. A propriedade pertence a Eduardo Folley Coelho e Simone Spengler Coelho, que assumiram a área em 1979.
A preocupação com os resíduos é um dos pilares do trabalho desenvolvido no local. Conforme os dados apresentados pela Globo Rural, a fazenda possui certificação lixo zero e consegue dar destinação adequada a mais de 90% dos resíduos gerados, utilizando alternativas como compostagem, reutilização e reciclagem. Embalagens retornáveis são priorizadas no atendimento aos visitantes, enquanto materiais provenientes das atividades rurais também recebem destinação específica.
A conservação ocupa uma parcela significativa da propriedade. Dos 1.547 hectares, quase 400 são mantidos como áreas preservadas, incluindo uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Desde 1979, segundo a reportagem, a área de vegetação nativa foi ampliada e uma nascente passou por recuperação. A fazenda mantém ainda um viveiro com quase 100 espécies de plantas nativas, utilizadas tanto na propriedade quanto em ações de reflorestamento na região.
A produção rural também está inserida no modelo de sustentabilidade. A propriedade mantém uma horta de 4 mil metros quadrados e aproximadamente dois hectares de sistemas agroflorestais, com produção de frutas, verduras e legumes. Parte dos alimentos produzidos é destinada ao hospital local, enquanto o excedente de leite é doado à Associação Pestalozzi. Na pecuária leiteira, também são adotadas práticas relacionadas ao bem-estar dos animais.
Entre os próximos projetos está a instalação de seis a oito tanques para criação de espécies nativas de peixes, iniciativa que busca criar uma alternativa à retirada desses animais do ambiente natural e que futuramente poderá beneficiar pequenos produtores da região. A propriedade possui ainda certificação de carbono neutro. O conjunto de iniciativas apresentado pela Globo Rural coloca a experiência desenvolvida em Jardim como exemplo de como produção rural, turismo e preservação ambiental podem avançar de forma integrada em Mato Grosso do Sul.