Em Ponta Porã, livro contra violência doméstica ganha versão guarani kaiowá

Obra da juíza Caroline Costa de Camargo chega à Escola Rural Graça de Deus e usa teatro para ensinar crianças indígenas a reconhecer e denunciar violência

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Divulgação/PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA PORÃ
Divulgação/PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA PORÃ

A Escola Municipal Rural Graça de Deus, na região do Capeí, em Ponta Porã, recebeu nesta segunda-feira (19) o lançamento da tradução em guarani kaiowá do livro Clarisse me Disse, escrito pela juíza Caroline Costa de Camargo, titular da 2ª Vara da Comarca de Capão Bonito, no interior de São Paulo. A obra narra a história de uma menina que percebe sinais de violência dentro de casa e já circula por escolas de diferentes estados desde que foi publicada originalmente em português.

A escolha da escola indígena não foi aleatória. Alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental acompanharam uma encenação teatral baseada no livro, projeto do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que leva o tema da violência doméstica para dentro da sala de aula com desenhos, pinturas e rodas de conversa. "Estamos iniciando aqui na Escola Municipal Graça de Deus o lançamento da versão guarani e kaiowá do 'Clarisse me Disse' e esperamos que essa seja uma oportunidade de todos que falam a língua possam também obter informações. O lançamento que fazemos hoje é uma forma de respeitar os saberes da cultura local", disse a autora durante a visita à comunidade escolar.

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Uma história que já passou por três estados

Antes de chegar a Ponta Porã, o livro foi apresentado em São Paulo e, depois, em outras cidades de Mato Grosso do Sul. A obra também desembarcou em Pernambuco e tem previsão de seguir até a Bahia. A versão em guarani kaiowá, no entanto, é inédita e nasce justamente na fronteira com o Paraguai, região com forte presença de aldeias indígenas e onde o acesso a material educativo na língua materna ainda é limitado.

A secretária municipal de Governo e Comunicação, Paula Consalter Campos, representou o prefeito Eduardo Campos na solenidade e defendeu que o combate à violência doméstica começa dentro de casa. "Cada um pode ajudar a mudar a realidade dentro da própria casa, dentro da própria família e no ambiente em que vive. Nossa luta é para ajudar na construção desse mundo de mais amor, que Ponta Porã seja referência para Mato Grosso do Sul com esse cuidado na garantia de direitos", afirmou.

Teatro, música e participação dos estudantes

Além da apresentação teatral do Grupo de Risco, que encenou a história de forma interativa, as crianças cantaram uma música em guarani kaiowá durante o evento. A secretária municipal de Cidadania e Inclusão Social, Dilma da Silva Leite, e a vereadora Ângela Derzi, representando a Câmara Municipal, acompanharam a programação ao lado de professores e coordenadores escolares.

A tradução para a língua indígena busca preservar os saberes tradicionais das comunidades guarani kaiowá enquanto amplia o acesso a informações sobre direitos e proteção infantil. A iniciativa reforça um trabalho que já existe em outras frentes na região, como mostram projetos de fortalecimento cultural guarani kaiowá em Dourados e investimentos recentes em comunidades indígenas de Paranhos.

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Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA PORÃ


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