Crise em banco digital provoca protestos e amplia pressão sobre presidente do Paraguai

Caso envolvendo o Ueno Bank levou à renúncia do presidente do Banco Central e desencadeou manifestações que pedem o afastamento de Santiago Peña

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O Paraguai enfrenta uma das maiores crises financeiras e políticas dos últimos anos após a intervenção no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país. A medida foi adotada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) após a constatação de que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação. Com cerca de 3 milhões de clientes, o banco teve suas operações suspensas, deixando correntistas sem acesso imediato aos recursos depositados. 

A crise ganhou contornos ainda mais graves após o Ministério Público determinar a prisão de dirigentes ligados ao banco e iniciar investigações sobre possíveis irregularidades financeiras. Também vieram à tona informações de que centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo valores do sistema previdenciário paraguaio, estavam aplicados na instituição. O caso resultou na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que já havia comandado a antiga financeira que deu origem ao banco. 

O escândalo passou a atingir diretamente o presidente Santiago Peña, que manteve vínculos empresariais com o grupo controlador do banco até 2025. A oposição acusa o governo de falhas na supervisão da instituição e já articula um possível pedido de impeachment. Diante da repercussão, Peña solicitou a saída do presidente do Banco Central e anunciou medidas para acelerar o ressarcimento dos correntistas afetados. 

A insatisfação popular levou centenas de pessoas às ruas de Assunção. Manifestantes realizaram atos no centro da capital e em frente à residência presidencial exigindo a devolução integral dos depósitos, punição aos responsáveis e até a saída de Santiago Peña do cargo. Houve registros de confrontos com a polícia e novas mobilizações estão sendo convocadas por organizações sociais e movimentos políticos, ampliando a pressão sobre o governo paraguaio. 


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