A equipe do assador campo-grandense Leandro Santos, conhecido como Chama o Lê, fechou dezembro de 2025 com 46 churrascos realizados em um único mês. Para o fim deste ano, a meta é quase dobrar essa marca: 80 eventos entre novembro e dezembro de 2026, incluindo dias com múltiplas estações funcionando ao mesmo tempo. "Sábado passado mesmo nós fizemos oito eventos", contou o assador em entrevista ao Jornal A Crítica, no estúdio montado durante o Festival Internacional da Carne, neste domingo (27).
O festival, que chega à quarta edição no Parque de Exposições Laucídio Coelho, reúne mais de 30 estações de assadores com entrada gratuita e termina neste domingo. Segundo o apresentador, a estação de Leandro foi uma das mais concorridas dos três dias de evento, prova de que o nome construído nos últimos anos já atrai fila própria dentro do parque.
Leandro está há seis anos dedicado ao churrasco como profissão, depois de passar por churrascarias e por uma empresa de espetinho que ficou conhecida na cidade como Espetinho do Lê. A virada veio quando a demanda por eventos passou a competir com o próprio negócio fixo. "Daqui a pouco eu estava tirando do evento para cobrir a empresa, tanto que, graças a Deus, deu certo", resumiu.
Hoje a operação consegue atender de mil a quatro mil pessoas sem depender de equipamento emprestado. A estrutura própria inclui quinta roda, roda gigante e um carretel de costela com capacidade para 100 peças simultâneas. A equipe fixa soma 20 pessoas, reforçada por mais 25 profissionais em dias de pico, quando vários eventos acontecem ao mesmo tempo. "Sem minha equipe o Chama o Lê não existia. Sem minha esposa, minha equipe não existia", afirmou.
Para quem está começando, o maior obstáculo não é técnica de assar, e sim negociar carne com margem que sustente o negócio. "Esse pessoal que não consegue ter patrocínio, ou se não pega carne direto em mercado, não consegue trabalhar com preço para desenvolver o trabalho dele", disse. O próprio Chama o Lê hoje trabalha com um frigorífico patrocinador, que também é parceiro do festival, o que ajuda a manter o custo da matéria-prima sob controle mesmo com a escala de eventos.
O reconhecimento veio antes da estrutura atual: em 2023, na terceira edição do festival, a equipe venceu a Copa de Assadores com 807 pontos e levou o prêmio de melhor paleta, segundo a Acrissul, entidade que administra o parque. De lá para cá, Leandro passou a representar Mato Grosso do Sul fora do estado, caso do Mr. Moo Festival, em São José dos Campos (SP), que descreve como o maior festival de churrasco do mundo, com cerca de 150 estações e público de 15 a 16 mil pessoas. Foi com uma paella pantaneira e levou dois colegas de Campo Grande. "Quando eu comecei, infelizmente, muitos não abriram as portas. Hoje o pessoal já começou mais a se ajudar", contou.
Questionado se o churrasco sul-mato-grossense já supera o modelo gaúcho, Leandro não hesitou: para ele, em sabor e apresentação, o de MS ganhou terreno. "Quando saiu do modelo gaúcho, o pessoal começou a modernizar muito. Tenho muitos amigos gaúchos que começaram e vieram junto, porque está mudando", avaliou.
No ranking de preferência dos clientes, o corte mais pedido atualmente é o ancho, seguido do contrafilé, que segundo ele já superou até a picanha em procura. Na estação do festival, o cardápio reforça essa aposta: contrafilé com folha de ouro, carne de sol finalizada na manteiga de garrafa com farofa de banana-da-terra e bacon, além da paella pantaneira. "Se você não conseguir casar o acompanhamento com o corte, muitas vezes você não consegue valorizar mais a carne ainda", explicou. Quem quiser acompanhar a agenda de eventos da equipe pode buscar o perfil Chama o Lê Assador no Instagram.
Fontes: JORNAL A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE; ACRISSUL