Apenas sete municípios de MS têm capacidade suficiente para armazenar produção de grãos
Três Lagoas, Dourados, Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia e Brasilândia destoam de cenário estadual
Apenas sete municípios de Mato Grosso do Sul possuem capacidade de armazenagem de soja e milho superior à necessidade estimada para a produção local. Três Lagoas, Dourados, Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia e Brasilândia formam esse grupo restrito, enquanto outros 71 municípios produtores analisados apresentam déficit de armazenagem. Os números fazem parte de levantamento do Siga-MS e evidenciam um dos principais gargalos estruturais do agronegócio sul-mato-grossense.
O contraste é expressivo. Mato Grosso do Sul possui capacidade estática estimada em aproximadamente 17,19 milhões de toneladas, diante de uma necessidade de 29,22 milhões de toneladas para soja e milho. Isso significa que a estrutura existente atende somente 58,8% da demanda calculada, deixando uma lacuna próxima de 12,03 milhões de toneladas. Dos 78 municípios produtores considerados pelo levantamento, portanto, pouco menos de 9% conseguem armazenar volume equivalente ou superior à necessidade estimada.
Entre os sete municípios está Três Lagoas, que possui capacidade estática instalada de 4.740 toneladas, para uma necessidade estimada em 4.577 toneladas. A cobertura chega, assim, a aproximadamente 104%. O município não está entre os maiores centros armazenadores do Estado em volume absoluto, mas integra o pequeno grupo que consegue manter capacidade compatível com a produção de soja e milho considerada na metodologia do estudo.
A distribuição da infraestrutura também revela forte concentração regional. Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste reúnem praticamente metade, 49,9%, da capacidade de armazenagem existente em Mato Grosso do Sul, embora respondam por 37,6% da produção considerada. Ter grande estrutura, entretanto, não significa necessariamente possuir superávit. Ponta Porã apresenta déficit de aproximadamente 1,30 milhão de toneladas e Maracaju, de 1,13 milhão, mostrando como o elevado volume produzido pode superar até mesmo grandes capacidades instaladas.
Enquanto a maior parte dos municípios produtores depende de expansão de silos e armazéns ou de maior eficiência logística para movimentar as safras, essas sete cidades conseguem superar a necessidade calculada pelo levantamento. O dado ganha ainda mais relevância diante do crescimento do agronegócio estadual e da necessidade de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias e outros corredores capazes de acompanhar o avanço da produção.