A Azul Linhas Aéreas confirmou, sem prazo de encerramento, a continuidade da rota entre Corumbá (MS) e o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). O dado que sustenta a decisão vem do Observatório de Turismo do Pantanal: entre março e junho deste ano, mais de 12,5 mil passageiros embarcaram nessa ligação — e quase dois terços deles eram visitantes, não moradores locais.
A sobrevivência da rota não foi automática. A articulação envolveu a Prefeitura de Corumbá, o Governo de Mato Grosso do Sul, a Associação das Empresas de Corumbá (ACERT), a Fundação de Turismo do Pantanal e a própria Azul. O resultado prático é que Corumbá volta a ter acesso direto a um dos maiores hubs domésticos do país, de onde partem conexões para dezenas de destinos — o que, na prática, coloca o Pantanal a uma baldeação de praticamente qualquer cidade brasileira atendida pela companhia.
A escolha do hub de Campinas não é acidental. Viracopos concentra a maior malha operada pela Azul no Brasil, e quem chega de outro estado pode pegar uma única conexão para desembarcar direto em Corumbá — sem passar por Campo Grande ou por aeroportos maiores. "A rota aproxima o Pantanal de um dos principais hubs da companhia e, a partir de Viracopos, amplia o acesso de visitantes, além de criar mais opções de conexão para os moradores", afirmou Beatriz Barbi, gerente sênior de Planejamento de Malha, Distribuições e Alianças da Azul.
Para o turismo de Corumbá — que inclui pesca esportiva, ecoturismo e turismo cultural —, a conectividade aérea regular é determinante. Sem voo direto, a alternativa é a estrada, o que aumenta o tempo de deslocamento e reduz o apelo do destino para visitantes de outros estados. O esforço de Corumbá em promover a pesca esportiva no Pantanal para mercados fora de MS depende diretamente desse tipo de acesso.
Com a continuidade garantida, a Fundação de Turismo do Pantanal já aponta o próximo desafio. "Agora temos um novo desafio: não apenas manter o voo, mas aumentar a sua ocupação e ampliar a demanda. Precisamos transformar essa conectividade em mais turistas, mais eventos, mais negócios e mais desenvolvimento para Corumbá", disse Zelinho Carvalho, diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal.
A taxa de ocupação é o termômetro que a Azul vai observar para decidir se expande ou reduz a frequência da rota. Em reportagem anterior, o MSConecta já havia registrado que a rota operava com 83% de ocupação e havia ganho prazo até novembro — números que ajudaram a consolidar a decisão de continuidade agora anunciada. O desafio do setor é transformar o índice de visitantes — já majoritário entre os passageiros — em uma curva crescente que justifique, no futuro, até mais frequências ou aeronaves maiores.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ; FUNDAÇÃO DE TURISMO DO PANTANAL