Arroba do boi em MS: EUA abrem janela, mas UE suspende embarques
Flexibilização tarifária americana abre espaço para exportação de 300 mil toneladas de dianteiro bovino, mas suspensão europeia por regras sanitárias segura a euforia dos pecuaristas sul-mato-grossenses.
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O mercado da arroba do boi gordo entra em setembro de 2026 dividido entre um estímulo e um freio simultâneos — e os pecuaristas de Mato Grosso do Sul, maior estado produtor do país, estão no centro desse cabo de guerra. De um lado, os Estados Unidos abriram uma janela de exportação com flexibilização tarifária para 300 mil toneladas de cortes do dianteiro bovino brasileiro, válida pelos próximos três meses. Do outro, a União Europeia suspendeu os embarques de carne bovina brasileira a partir de quinta-feira, 3 de setembro, após mudanças nas normas sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos.
O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, acompanha o mercado físico desde agosto, quando os preços começaram aquecidos mas foram cedendo ao longo das semanas. Segundo ele, a combinação de animais de parceria disponíveis e o uso de confinamentos próprios pelos frigoríficos de maior porte permitiu boa composição das escalas de abate — aliviando a pressão de compra sobre o produtor. Ainda assim, a média de preços em agosto ficou acima do fechamento de julho.
EUA abrem espaço, mas sem explosão nas cotaçõesPara setembro, Iglesias projeta tendência de alta na arroba, puxada principalmente pelo avanço das vendas de dianteiro bovino aos americanos. "Esse movimento pode ser pautado por um avanço nas vendas de cortes do dianteiro bovino do Brasil aos Estados Unidos com a flexibilização de tarifas válidas pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas", explicou o analista. Para os pecuaristas sul-mato-grossenses — cujo rebanho alimenta parte significativa das exportações frigoríficas nacionais —, a abertura americana é um alento, sobretudo em cidades como Naviraí, Dourados e Aquidauana, onde a pecuária de corte é base econômica.
O analista, porém, freia o otimismo: sem a Europa comprando, não há espaço para movimentos explosivos nas cotações. No mercado atacadista, o quarto dianteiro foi cotado a R$ 20 por quilo ao final de agosto, estável ante julho, enquanto o traseiro recuou 1,89%, de R$ 26,50 para R$ 26 por quilo. Para a primeira quinzena de setembro, a expectativa é de melhora gradual nos preços dos dois cortes, impulsionada pela entrada de salários na economia.
Europa suspensa e China no horizonte do fim do anoA suspensão europeia, em vigor desde 3 de setembro, é o principal fator que impede uma recuperação mais vigorosa da arroba. As novas exigências sanitárias da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na cadeia bovina brasileira criaram um impasse que, por ora, não tem prazo definido de resolução — e retira um destino de alto valor agregado do cardápio dos frigoríficos.
O cenário mais otimista para a arroba está projetado para o final de 2026. Iglesias aponta que, quando os frigoríficos começarem a fechar contratos voltados à China para cumprir a cota de exportação destinada ao Brasil em 2027, as cotações devem reagir com mais força. Até lá, setembro deve ser um mês de alta moderada para o boi gordo sul-mato-grossense — o suficiente para aliviar, mas não para celebrar. Confira também o cenário completo da arroba para setembro que o MSConecta já havia antecipado.
Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL