Carne bovina de MS: volume exportado despenca 27%, mas preço bate recorde
Embarques brasileiros de agosto de 2026 somaram 195,7 mil toneladas, o pior resultado frente ao mesmo mês de 2025; a tonelada, porém, foi vendida a US$ 6.165 — entenda o que explica essa contradição.
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O Brasil exportou 195.715 toneladas de carne bovina in natura em agosto de 2026 — o menor volume mensal desde agosto do ano passado, quando os embarques chegavam a 268.562 toneladas. A queda de 27,12% na comparação anual veio acompanhada de um movimento que contraria a lógica imediata: o preço médio da tonelada subiu 10,1% no mesmo período, para US$ 6.165,74, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Para frigoríficos de Mato Grosso do Sul — estado que superou US$ 1,1 bilhão em exportações de carne bovina apenas no primeiro semestre de 2026 —, o cenário é de receita menor, mas com margens unitárias mais altas.
O recuo de agosto foi mais acentuado do que o registrado em julho, quando os embarques somaram 257.983 toneladas, já abaixo do mesmo mês de 2025. Na comparação mês a mês, portanto, o volume caiu outros 24,1%. A receita total de agosto é estimada em aproximadamente US$ 1,21 bilhão — cerca de 22,6% abaixo da receita de julho, de US$ 1,56 bilhão. O Cepea adverte, no entanto, que a comparação mensal deve ser lida com cautela: agosto simplesmente teve menos produto embarcado, enquanto o preço unitário seguiu em alta.
China fecha a torneira: cota de importação quase esgotada em agostoO principal freio sobre os embarques brasileiros tem endereço certo: a China. Segundo o Cepea, a desaceleração já havia sido sinalizada na análise de julho, quando ficou claro que as vendas ao país asiático tinham sido antecipadas nos primeiros meses de 2026. No início de agosto, informações do próprio governo chinês apontavam que 90% da cota anual de importação já estava preenchida — o que deixou pouco espaço para novos embarques no mês.
Os dados de agosto confirmaram a tendência: as exportações para a China recuaram 19,2% em volume na comparação anual. Outros destinos apresentaram desempenho mais positivo, mas não foram suficientes para compensar o peso do mercado chinês no total exportado. Esse movimento é relevante para MS, onde frigoríficos de Naviraí, Dourados, Três Lagoas e da Grande Campo Grande têm na China um dos principais compradores. A expectativa do setor é de retomada gradual das compras chinesas a partir de setembro, quando a cota do próximo ciclo deve se abrir.
Preço em alta sustenta receita mesmo com volume menorO que chama atenção nos números de agosto é a divergência entre volume e valor: enquanto os embarques caíram mais de um quarto na comparação anual, a receita recuou proporcionalmente bem menos. Em julho, essa diferença já havia sido nítida — a queda de 16,83% em volume gerou um recuo de apenas 6,02% na receita anual, de US$ 1,66 bilhão para US$ 1,56 bilhão. Em agosto, o movimento se acentuou: queda de 27,1% em toneladas, mas alta de 10,1% no preço médio.
O Cepea atribui a valorização a uma combinação de fatores que marcou o primeiro semestre e ainda ecoa nos meses seguintes: demanda externa aquecida, oferta relativamente ajustada de animais terminados e câmbio favorável ao exportador. Para o produtor sul-mato-grossense, o preço mais alto por tonelada representa uma compensação parcial à menor quantidade colocada no mercado externo — mas o volume total exportado pelo estado e a receita acumulada no segundo semestre ainda dependem de como a China e outros mercados se comportarão nas próximas semanas.
Fontes: SECEX; CEPEA; CANAL RURAL