Pix pode chegar à Europa e permitir pagamentos em euro diretamente pelo aplicativo do banco

Banco Central negocia integração com sistema europeu que poderá viabilizar compras internacionais por QR Code a partir de 2028

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O Banco Central do Brasil negocia a integração do Pix com o Target Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura de pagamentos instantâneos administrada pelo Banco Central Europeu (BCE). A iniciativa pode representar o primeiro corredor de pagamentos em larga escala entre o sistema brasileiro e a Zona do Euro. 

As tratativas ainda estão em fase preliminar e envolvem análises técnicas, jurídicas, operacionais e de segurança para avaliar a viabilidade da conexão entre as duas plataformas. O BCE confirmou a existência de uma investigação em andamento sobre a possível integração entre o Pix e o TIPS. 

Diferentemente do que muitos imaginam, o TIPS não é um aplicativo utilizado por consumidores europeus. Trata-se de uma infraestrutura que conecta bancos e sistemas de pagamento da Zona do Euro, permitindo transferências instantâneas entre instituições financeiras. Na prática, o brasileiro continuaria utilizando o aplicativo do seu banco no Brasil para realizar pagamentos no exterior. 

Se o projeto avançar, turistas e consumidores poderão fazer pagamentos em estabelecimentos europeus por meio de QR Code, utilizando o Pix diretamente pelo celular. O sistema realizaria a conversão entre real e euro e concluiria a transação em poucos segundos. 

A proposta também reduz a dependência das tradicionais redes de correspondentes bancários internacionais, que hoje intermediam boa parte das transações financeiras entre países e podem aumentar custos e tempo de processamento.

Segundo cronogramas preliminares citados por especialistas e documentos analisados durante as negociações, a fase atual de estudos deve ser concluída ainda em 2026. Caso as avaliações sejam positivas, o projeto poderá avançar para etapas de implementação e testes operacionais. Um projeto-piloto está previsto para 2028. 

Além dos aspectos tecnológicos, as equipes envolvidas também analisam questões relacionadas à conversão cambial, custos das operações, liquidação financeira e governança entre os dois sistemas. Nove áreas do Banco Central brasileiro participam das avaliações internas sobre a possível integração.

Criado em 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento eletrônico do Brasil e já acumula bilhões de transações anuais. A eventual conexão com o sistema europeu poderá representar mais um passo no processo de internacionalização da plataforma brasileira, ampliando seu uso para compras e pagamentos fora do país. 


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