Número de trabalhadores por aplicativos cresce 37% no Brasil e chega a 2 milhões

Pesquisa do IBGE mostra expansão da atividade, mas aponta alta informalidade e baixa cobertura previdenciária

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O número de brasileiros que trabalham por meio de aplicativos de transporte, entregas e prestação de serviços chegou a cerca de 2 milhões de pessoas em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente representa um crescimento de 36,8% em relação a 2022, quando havia aproximadamente 1,3 milhão de pessoas utilizando plataformas digitais como principal fonte de renda. 

De acordo com o levantamento, cerca de 1,8 milhão de trabalhadores utilizavam aplicativos como ocupação principal, o que corresponde a 92,1% do total de profissionais chamados de “plataformizados”. Em três anos, o número aumentou em 486 mil pessoas. 

O perfil traçado pelo IBGE mostra que o segmento é formado majoritariamente por trabalhadores do transporte de passageiros. Eles representam 53,9% do total, com cerca de 1,1 milhão de pessoas. Em seguida aparecem os profissionais de entrega de alimentos e mercadorias, que somam 585 mil trabalhadores (29,9%), além dos prestadores de serviços diversos, com 313 mil pessoas (16%). 

A pesquisa também aponta desafios relacionados às condições de trabalho. Segundo os dados, 72,1% dos trabalhadores por aplicativo atuam na informalidade, enquanto apenas cerca de um em cada cinco contribui para a Previdência Social. 

Outro ponto destacado pelo IBGE é a carga horária. Os trabalhadores vinculados às plataformas digitais costumam ter jornadas mais extensas do que a média dos demais profissionais do setor privado. Estudos anteriores do instituto indicam semanas de trabalho próximas de 46 horas, acima da média observada em outras ocupações. 

O levantamento ainda reforça que, embora os aplicativos ampliem oportunidades de geração de renda e acesso ao mercado de trabalho, também trazem desafios relacionados à proteção social, à previdência e às condições laborais desses profissionais. 

A pesquisa faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e acompanha a evolução do trabalho mediado por plataformas digitais no país, um modelo que ganhou força nos últimos anos com a popularização de serviços como Uber, 99 e iFood.


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