Mosca-branca pode destruir até 70% da soja; pesquisador de Chapadão do Sul explica o manejo

Especialista da consultoria Desafios Agro alerta que calor e seca da safra 2026/27 favorecem a praga — e o controle tardio torna o problema ainda mais difícil de resolver.

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Um alerta vindo de dentro de Mato Grosso do Sul deve orientar os produtores de soja na safra 2026/27: a mosca-branca (Bemisia tabaci) pode causar perdas entre 10% e 70% da produção, dependendo da intensidade da infestação e das condições de cada lavoura. O aviso é do pesquisador Germison Tomquelski, da consultoria Desafios Agro, sediada em Chapadão do Sul (MS), que recomenda monitoramento desde os primeiros estádios do ciclo da cultura.

A preocupação ganha força no contexto climático esperado para a próxima safra. Períodos de calor intenso combinados com menor disponibilidade de chuva criam condições favoráveis à multiplicação rápida da praga — cenário que pode tornar o controle muito mais complexo se o produtor não agir nos primeiros sinais de presença do inseto.

Por que a mosca-branca é diferente de outras pragas da soja

Ao contrário de pragas que causam danos apenas por desfolha ou alimentação direta, a mosca-branca age em múltiplas frentes. Ao sugar a seiva da planta, o inseto retira nutrientes essenciais e libera uma substância açucarada sobre as folhas. Esse resíduo favorece o surgimento da fumagina, um fungo que cobre a superfície foliar e compromete a fotossíntese — prejudicando o desenvolvimento das plantas mesmo após o controle da infestação.

Há ainda um terceiro vetor de dano: a transmissão de viroses. A combinação dos três efeitos — sucção de nutrientes, fumagina e vírus — faz da mosca-branca uma das pragas de maior impacto econômico na agricultura brasileira, e o intervalo entre 10% e 70% de perdas citado por Tomquelski reflete exatamente essa variação conforme o nível de controle adotado.

Como monitorar e quando agir na lavoura

Tomquelski orienta que o produtor observe regularmente a parte inferior das folhas, onde os insetos e suas formas jovens tendem a se concentrar. A atenção deve ser redobrada nas áreas próximas ao fechamento das linhas de plantio, momento em que a umidade e o microclima favorecem o avanço da praga.

O ponto crítico do manejo, segundo o pesquisador, é o momento da intervenção. Esperar que outros problemas apareçam na lavoura — como a ferrugem asiática, que já exige ação antes mesmo do plantio em MS — para só então tratar a mosca-branca significa permitir que a população cresça a ponto de inviabilizar um controle eficiente. O planejamento, reforça Tomquelski, precisa começar junto com o ciclo da cultura, não depois que a pressão já está instalada.

Fontes: DESAFIOS AGRO; CANAL RURAL