Tomate industrial em Aparecida do Taboado: 100 t/ha na 1ª colheita
Val Agropecuária colheu lavoura experimental irrigada e reuniu governo e produtores para discutir nova cultura com potencial industrial no Bolsão de MS.
Divulgação
A primeira lavoura experimental de tomate industrial cultivada pela Val Agropecuária em Mato Grosso do Sul foi colhida na terça-feira, 1º de setembro de 2026, na Fazenda Filadélfia, em Aparecida do Taboado, e já apresenta expectativa de produtividade de cerca de 100 toneladas por hectare — número que chamou a atenção de produtores rurais, técnicos e representantes do Governo Estadual reunidos no local para um Dia de Campo organizado pelo Sindicato Rural do município.
A experiência, ainda em seu primeiro ciclo, ocorre em uma área de 10 hectares dentro de um pivô central de 39 hectares e utiliza a variedade H1881, cultivar desenvolvida para processamento industrial, com características de boa coloração, maturação concentrada e alto potencial produtivo. O produto segue a granel diretamente para a indústria, com colheita mecanizada — modelo que reduz custos e viabiliza escala comercial.
Estado que era só pecuária e soja começa a plantar tomatePara o Governo de Mato Grosso do Sul, o experimento representa um passo concreto num processo de transformação produtiva que já vinha sendo observado no agronegócio estadual. "Quando vocês lembrarem de Mato Grosso do Sul, lá atrás, era pecuária, soja e milho. Então agora a gente vai diversificando, vão entrando outros produtos", afirmou Rogério Tomitão Beretta, superintendente de Produção, Meio Ambiente e Agricultura Familiar do Estado, que participou do evento. Beretta também destacou a parceria da propriedade com a Embrapa no desenvolvimento de tecnologia adaptada às condições locais.
O engenheiro agrônomo Gustavo, coordenador de suprimentos da Val Alimentos, confirmou que este é o primeiro ano de cultivo da cultura pela empresa em MS e que o objetivo vai além de medir produtividade: a experiência quer demonstrar que o tomate pode se tornar uma opção economicamente viável para produtores da região do Bolsão — município que já desponta em outros setores do agronegócio regional. Os números finais de produção ainda dependem do encerramento completo da colheita.
Sindicato vê pioneirismo e mira indústria de processamento localA iniciativa do Dia de Campo partiu do Sindicato Rural de Aparecida do Taboado, cujo presidente, Eduardo Sanches, conta que tudo começou durante uma visita à propriedade do produtor Valdenir Rossi — o Sr. Val — quando se deparou com a área de tomate e reconheceu o caráter inédito da aposta. "Eu falei: isso é pioneirismo. Isso é novidade para um Estado que busca crescimento", disse Sanches durante o encontro. Em vez de manter a visita restrita ao círculo da fazenda, o sindicato articulou apoio institucional e levou o tema ao Governo Estadual.
O horizonte mais ambicioso discutido no evento é a instalação de uma indústria de processamento de tomate no próprio município — o que transformaria a lavoura experimental de hoje em ancora de uma cadeia produtiva completa em Aparecida do Taboado. O debate ainda está no plano das possibilidades, mas a presença do governo estadual e de representantes do setor produtivo no Dia de Campo indica que a ideia já saiu do campo das conversas informais. Para MS, que busca reduzir a dependência das commodities tradicionais, experiências como essa no Bolsão apontam caminhos concretos de diversificação com tecnologia e irrigação.
Fontes: VAL AGROPECUÁRIA; SINDICATO RURAL DE APARECIDA DO TABOADO; GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL; COSTA LESTE NEWS