O governo de Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência por 180 dias nas cidades de Corumbá, Ladário e Coxim após o colapso da Ponte João Wenceslau Leite de Barros, que desabou sobre o Rio Taquari no dia 13 de agosto, na rodovia MS-168. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira, 2 de setembro. O caminhoneiro Alexandre de Freitas, de 49 anos, morreu quando o veículo que ele conduzia caiu no rio após o colapso da estrutura.
A decisão tem base em relatório técnico elaborado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e em parecer da Defesa Civil estadual. A ponte ficava no trecho da MS-168 que conecta as rodovias MS-423 e MS-214, no limite entre as regiões do Pantanal do Paiaguás e da Nhecolândia — uma das rotas de escoamento e abastecimento que serve diretamente o corredor Corumbá-Ladário, cidades gêmeas na fronteira com a Bolívia.
Com a situação de emergência vigente, órgãos estaduais ficam autorizados a mobilizar equipes e recursos para ações de resposta imediata, recuperação da área afetada e reconstrução da travessia. O ponto mais sensível do decreto é a permissão para contratações emergenciais sem processo licitatório, nos casos previstos em lei — o que, na prática, reduz significativamente o tempo entre a decisão política e o início físico das obras.
Para as populações de Corumbá e Ladário, o impacto é direto: a MS-168 é parte do acesso terrestre ao interior do Pantanal e ao corredor de abastecimento que alimenta comunidades ribeirinhas da região. Coxim, por sua vez, fica no entroncamento de rotas que conectam o norte de MS ao Pantanal e depende de pontes sobre o sistema do Taquari para o fluxo de cargas e passageiros.
A Ponte João Wenceslau Leite de Barros havia sido concluída em setembro de 2009 e estava em operação havia pouco mais de 16 anos quando cedeu na manhã de 13 de agosto. O caminhão conduzido por Alexandre de Freitas tombou junto com a estrutura e ficou submerso no Rio Taquari. O motorista foi retirado da cabine já sem vida pelos equipes de resgate.
Após o acidente, o governo estadual informou que equipes técnicas foram enviadas imediatamente ao local para levantar as causas do colapso. As conclusões parciais desse trabalho foram justamente o laudo da Agesul que embasou o decreto desta semana. As investigações sobre as causas estruturais do desabamento seguem em andamento.
O trecho da MS-168 onde ficava a ponte é um elo crítico para a logística do Pantanal sul-mato-grossense. Corumbá, maior cidade da região, é também o principal ponto de entrada terrestre para a Bolívia pelo Brasil — o que torna qualquer interrupção viária nessa área um problema que vai além do deslocamento local. Carga, turismo e abastecimento de comunidades isoladas dependem dessa malha.
Com o prazo de 180 dias de emergência, o governo estadual terá até o início de março de 2027 para concluir as ações previstas no decreto. A expectativa é que as contratações emergenciais acelerem o cronograma de reconstrução, mas o Estado ainda não divulgou prazo estimado para a retomada da travessia nem o custo total da obra. O corredor do Pantanal, que já convive com os efeitos das cheias e secas extremas do rio, terá pela frente meses de pressão adicional sobre a infraestrutura viária que restou.
Fontes: GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL, AGESUL, DEFESA CIVIL MS