O Pantanal apresentou uma redução expressiva das queimadas em 2026. Entre 1º de janeiro e 23 de agosto, a área atingida pelo fogo ficou 76,72% abaixo da média histórica registrada para o mesmo período entre 2012 e 2025, segundo dados do Boletim do Fogo, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Apesar da queda significativa, o fogo ainda atingiu 95.004 hectares do bioma neste ano. A área representa cerca de 0,63% de toda a extensão do Pantanal, abrangendo tanto Mato Grosso do Sul quanto Mato Grosso.
Os dados reforçam a melhora observada nos últimos anos após períodos críticos de incêndios no bioma. Em 2025, o Pantanal já havia registrado a menor área queimada em 41 anos de monitoramento, com uma redução de 85,6% em relação à média histórica.
Em Mato Grosso do Sul, considerando todos os biomas presentes no Estado, a área queimada acumulada até 23 de agosto chegou a 144.298 hectares, colocando o Estado na oitava posição nacional em extensão atingida pelo fogo. Ainda assim, nenhum município sul-mato-grossense apareceu entre os dez mais afetados do país na última semana analisada pelo boletim.
Especialistas destacam que os números devem ser interpretados com cautela. O levantamento reúne toda a área que apresentou cicatrizes de fogo detectadas por satélites, sem diferenciar incêndios florestais de queimadas controladas ou manejos autorizados. Por isso, nem toda a extensão registrada pode ser atribuída a incêndios descontrolados.
Mesmo com os resultados positivos, o período de estiagem mantém autoridades em alerta. Mato Grosso do Sul está entrando na fase mais crítica da temporada de incêndios, justamente em um momento de fortalecimento do fenômeno El Niño, que pode favorecer condições de calor intenso, baixa umidade e aumento do risco de queimadas nos próximos meses.
Para enfrentar esse cenário, o Ibama e o ICMBio mobilizaram 199 brigadistas e servidores para atuar no Pantanal durante a temporada de incêndios. O reforço integra as ações de prevenção, monitoramento e combate ao fogo em uma das áreas ambientalmente mais importantes do planeta.
A redução das queimadas é vista como um sinal positivo para a preservação do Pantanal, bioma que abriga uma das maiores biodiversidades do mundo. No entanto, especialistas alertam que a manutenção dos índices dependerá da continuidade das ações de prevenção e das condições climáticas nos próximos meses.