Professores de Sidrolândia param na sexta e levam protesto ao 7 de Setembro

Categoria rejeita corte de reajuste de 5,4% para 3,77% e mira o desfile da Independência; dados mostram que a diferença cabe em menos de um mês de cargos do alto escalão.

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Professores de Sidrolândia param na sexta e levam protesto ao 7 de Setembro
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Os professores da rede municipal de Sidrolândia decidiram escalar o conflito com a gestão do prefeito Rodrigo Basso: marcaram uma paralisação para a próxima sexta-feira e planejam ocupar o desfile do 7 de Setembro com protestos, levando a disputa salarial para o centro das comemorações da Independência na cidade.

A tensão cresceu depois que a Prefeitura recuou em um reajuste que já havia sido pago. Em março, os servidores da educação receberam um aumento de 5,4%, seguindo o piso nacional do magistério, como prevê o Estatuto do Magistério em vigor desde 2016. Semanas depois, um projeto enviado à Câmara Municipal reduziu esse percentual para 3,77% a partir de maio — o mesmo índice concedido ao restante do funcionalismo. Para barrar a aplicação do estatuto, Basso recorreu ao Tribunal de Justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.

O que está por trás do recuo da Prefeitura

A justificativa oficial aponta para o comprometimento das finanças municipais. No primeiro semestre de 2026, as despesas com pessoal de Sidrolândia chegaram a 58% da Receita Corrente Líquida, acima do limite de 54% fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Em comparação, em maio de 2024 a folha somava R$ 14,29 milhões por mês; em maio de 2026, chegou a R$ 16,91 milhões — alta de R$ 2,62 milhões mensais em dois anos. Em julho deste ano, com o pagamento retroativo do reajuste de 3,77%, a folha atingiu R$ 19,49 milhões.

O inchaço, porém, não é atribuído apenas à categoria do magistério. Uma reforma administrativa aprovada no ano passado criou 239 novos cargos de livre nomeação e abriu 343 vagas para concurso público. O efeito foi imediato: o número de servidores comissionados saltou de 459 em julho de 2024 para 618 em julho de 2026 — crescimento de 34,6%. Os contratos temporários também subiram, de 1.404 para 1.595 no mesmo período. Hoje o município mantém 3.163 funcionários, entre efetivos, comissionados e contratados.

Contas que professores colocam na mesa

O dado que a categoria usa como argumento central é direto: o custo mensal estimado pela Prefeitura para conceder o reajuste integral de 5,4% é de R$ 253,3 mil. Aplicar apenas os 3,77% custaria R$ 177,19 mil. A diferença entre os dois percentuais — aquilo que os professores estão brigando — é de R$ 76,11 mil por mês.

Para fins de comparação, a estrutura de cargos do alto escalão criada pela reforma — 11 superintendentes, 4 secretários especiais, 5 secretários-adjuntos e 3 presidentes de fundações (Cultura, Turismo e Indígenas) — consome R$ 308,9 mil mensais, ou cerca de R$ 3,7 milhões por ano. Cada superintendente recebe R$ 12.977,20; cada secretário especial, adjunto ou presidente de fundação, R$ 13.842,35. Ou seja, o valor necessário para cobrir a diferença entre os dois percentuais de reajuste representa menos de um quarto do que a Prefeitura gasta todo mês apenas com essa camada de cargos comissionados.

Desfile vira palco da disputa municipal

A escolha do 7 de Setembro como cenário de protesto é calculada: o desfile da Independência costuma reunir autoridades, imprensa e moradores no mesmo espaço público, ampliando a visibilidade da pauta. A categoria quer pressionar a Câmara Municipal a rejeitar o projeto que consolida o corte e ao mesmo tempo constranger a gestão Basso diante da comunidade.

O impasse tem raízes institucionais mais profundas. A tentativa de alterar o Estatuto do Magistério — legislação que remonta a 2016 e que desde 2019 garante reajuste anual vinculado ao piso nacional — gerou resistência tanto na Câmara quanto nos professores antes de ir parar na Justiça. O resultado é uma municipalidade com folha de pessoal pressionada, uma categoria organizada disposta a ocupar a avenida no feriado nacional e um prefeito que precisa equacionar contas sem alienar servidores que compõem parte significativa de seu eleitorado. A paralisação de sexta é o primeiro teste de força; o 7 de Setembro, o segundo.

Fontes: REGIÃO NEWS, PREFEITURA DE SIDROLÂNDIA


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