Campo Grande e Turim renovam acordo histórico com visita de prefeito italiano

Delegação oficial da Itália chega à capital sul-mato-grossense em 1º e 2 de setembro para celebrar parceria que dura mais de duas décadas e tem raízes no Hospital São Julião.

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Campo Grande e Turim renovam acordo histórico com visita de prefeito italiano
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O prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e o cônsul-geral italiano em São Paulo, Mauro Campanela, desembarcam em Campo Grande nos dias 1º e 2 de setembro para celebrar, em visita oficial, o aniversário do Acordo de Cooperação que une as duas cidades desde 2002 — uma parceria que, mais de duas décadas depois, segue ativa e sem prazo de validade.

A agenda marca um momento raro na diplomacia municipal de Mato Grosso do Sul: não é comum que uma capital sul-mato-grossense receba ao mesmo tempo o prefeito de uma das maiores cidades europeias, um embaixador e um cônsul. O encontro foi construído sobre décadas de laços que vão muito além do protocolo — e têm endereço certo: o Hospital São Julião, referência do SUS em oftalmologia e reabilitação na Capital.

Dois dias de agenda e um símbolo de 80 anos de história

No primeiro dia, 1º de setembro, a comitiva italiana visita o Hospital São Julião e participa de cerimônia na instituição. No dia seguinte, a programação sobe o tom: a delegação vai à sede da Prefeitura de Campo Grande para a celebração formal do acordo e encerra a visita com passagem pelo Bioparque Pantanal.

O Hospital São Julião é o coração dessa história. Inaugurado na década de 1940, nasceu como colônia de isolamento para pacientes com hanseníase — um modelo marcado por segregação e estigma. A virada veio nos anos 1970, quando voluntários italianos ligados à Operação Mato Grosso (OMG), movimento de assistência à América Latina, chegaram a Campo Grande e começaram a transformar a instituição. Médicos, enfermeiros, engenheiros e construtores italianos trabalharam ao lado da comunidade local para reformar pavilhões, modernizar tratamentos e devolver dignidade aos pacientes.

Da solidariedade à diplomacia oficial

O esforço voluntário resultou na criação da Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos (AARH), mantenedora do Hospital São Julião, com apoio contínuo da instituição italiana Associazione OASI. Desde 1970, as duas entidades mantêm atuação ininterrupta em Campo Grande — e foi exatamente essa parceria de décadas que inspirou o acordo oficial firmado entre os dois municípios em 29 de maio de 2002.

O documento, baseado nas diretrizes da ONU, prevê intercâmbio cultural, comercial, esportivo e universitário, além da troca de experiências para o desenvolvimento dos dois territórios. Hoje o Hospital São Julião é citado internacionalmente não apenas pelo padrão médico, mas pelo modelo de gestão ambiental: sua área verde foi recuperada e integra um ecossistema preservado dentro da cidade — legado direto da visão humanista trazida pela cooperação ítalo-brasileira.

O que Campo Grande ganha com esse elo com a Europa

Para a capital sul-mato-grossense, a visita de setembro representa mais do que uma celebração de datas. Manter ativo um acordo com Turim — cidade do norte da Itália com cerca de 850 mil habitantes, polo industrial, universitário e cultural europeu — abre canais permanentes para intercâmbio acadêmico, projetos de saúde e captação de recursos e voluntariado internacional.

O histórico de Turim com Campo Grande mostra que essa ponte funciona na prática: doações, campanhas de arrecadação na Itália e o envio contínuo de especialistas foram determinantes para transformar o São Julião no hospital que existe hoje. A visita oficial renova esse compromisso e coloca Campo Grande no mapa diplomático de uma das regiões mais influentes da Europa — um ativo que poucos municípios do Centro-Oeste brasileiro podem reivindicar.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE


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