Uma escola municipal de Campo Grande transformou a tradicional campanha do agasalho em algo mais duradouro: a Emei Professora Daniela Ferreira Colman, no bairro São Conrado, abriu dentro de suas instalações uma loja solidária com fachada própria, espelho e placa de boas-vindas — a chamada Boutique Solidária, em funcionamento desde 28 de abril e que já beneficiou mais de 100 famílias da comunidade.
A iniciativa vai além de juntar roupas numa caixa de papelão. O espaço recebe roupas, calçados, brinquedos, utensílios domésticos, colchão de berço, cadeirinha de carro e bebê conforto — tudo organizado para que quem precisar possa escolher com tranquilidade, como em qualquer loja. A frase estampada na entrada resume a proposta: "Seja bem-vindo, sinta-se à vontade para escolher".
A origem da Boutique Solidária tem nome e história. Silvanir dos Santos, assistente de educação infantil da unidade, carregava há tempos a ideia de montar um varal de doações na calçada de casa — mas a rotina de trabalho na Emei inviabilizava o cuidado diário do espaço. Foi então que a diretora escolar Mériely Nóbrega e a equipe enxergaram uma solução: trazer o projeto para dentro da escola, onde ele poderia funcionar de forma contínua durante o horário letivo.
"Ela tinha o sonho de montar um varal solidário na calçada dela, mas como passa o dia na Emei, não poderia cuidar do varal. Então por isso surgiu a ideia do nome", explicou Mériely. A ideia ganhou força numa reunião de pais e rapidamente se converteu em um ponto fixo de apoio à comunidade escolar e aos moradores do entorno do São Conrado.
O funcionamento é simples e deliberadamente acessível. Quem tem itens em bom estado pode deixá-los na boutique; quem precisa, entra, olha e escolhe. Não há burocracia, não há triagem constrangedora. A proposta é exatamente essa — retirar o estigma da doação e dar dignidade a quem busca ajuda.
Para a diretora, o resultado superou a expectativa inicial. "Esse projeto não só colaborou com as famílias menos favorecidas, como também incentivou a participação, cooperação e aproximou ainda mais as famílias da escola. Tornamos nossa comunidade escolar mais unida num único propósito de ajudar e ser ajudado", disse Mériely Nóbrega. A boutique é aberta também a moradores que não têm filhos na unidade, ampliando o alcance da ação para além dos muros da escola.
A experiência da Emei do São Conrado aponta para um caminho que outras unidades de Campo Grande poderiam seguir. Escolas municipais concentram famílias em situação de vulnerabilidade e já funcionam como ponto de referência nos bairros — reunir esse fluxo em torno de uma estrutura permanente de doação reduz o desperdício de itens ainda úteis e fortalece o vínculo entre a gestão escolar e as famílias.
A Boutique Solidária funciona durante o horário escolar na Emei Professora Daniela Ferreira Colman, no bairro São Conrado, em Campo Grande. Quem quiser contribuir com doações ou retirar itens pode comparecer diretamente à unidade nos dias de aula. Com quase quatro meses de funcionamento e mais de cem famílias atendidas, o projeto já se consolidou como parte da rotina comunitária — e mostra que uma boa ideia, quando encontra o espaço certo, não precisa de grandes recursos para gerar impacto real.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE