Umidade cai entre 20% e 30% em MS enquanto frente fria castiga o Sul
Enquanto Rio Grande do Sul enfrenta ventos de até 90 km/h e temporais nesta quinta, Mato Grosso do Sul amanhece com tempo seco e calor intenso.
Divulgação
Mato Grosso do Sul acorda nesta quinta-feira, 27 de agosto, sob domínio do tempo seco e do calor, com índices de umidade relativa do ar entre 20% e 30% em grande parte do estado — faixa considerada de alerta pela meteorologia e que exige atenção redobrada à saúde e ao risco de incêndios. O cenário contrasta radicalmente com o que ocorre no extremo sul do país, onde uma nova frente fria avança com temporais, chuva forte e rajadas de vento que podem alcançar 90 km/h no Rio Grande do Sul.
A combinação de dois sistemas atmosféricos opostos explica a divisão climática do Brasil nesta data: enquanto a frente fria empurra instabilidade para o Sul e parte do Sudeste, o fluxo de calor e baixa umidade se instala sobre o Centro-Oeste, incluindo todo o território sul-mato-grossense. É o tipo de situação que, no outono e inverno, aumenta o risco de queimadas no Pantanal e no cerrado do estado.
Leste de MS tem chance isolada de pancadas pela manhãHá uma exceção pontual no quadro seco que predomina em Mato Grosso do Sul. Um cavado em médios níveis da atmosfera — uma espécie de calha de baixa pressão — pode favorecer pancadas fracas a moderadas, e pontualmente fortes, no leste do estado durante a manhã desta quinta. A mesma influência atinge o leste de Goiás e o Distrito Federal. Trata-se, porém, de um fenômeno localizado e passageiro: à medida que o sol aquece o dia, o calor se impõe e a umidade recua para os patamares críticos, sem alívio esperado para o restante da tarde.
Cidades como Três Lagoas, Água Clara e Paranaíba — no corredor leste do estado — são as que têm maior probabilidade de registrar essas pancadas isoladas matinais. Para as demais regiões, incluindo Campo Grande, Dourados, Corumbá e Bonito, o prognóstico é de sol forte, baixíssima umidade e temperaturas elevadas ao longo de todo o dia.
90 km/h no Sul: o que a frente fria faz no outro extremo do paísEnquanto MS sofre com a seca, o Rio Grande do Sul enfrenta o oposto. A nova frente fria traz chuva forte, temporais e acumulados elevados especialmente no centro-leste gaúcho e na Campanha, com rajadas entre 50 e 70 km/h e picos de até 90 km/h em pontos do estado. O oeste catarinense e o sudoeste do Paraná também ficam na rota dos ventos mais intensos. Em Santa Catarina, as instabilidades avançam pelo sul e interior ao longo do dia.
No Sudeste, a ação é mais moderada: um cavado e a umidade vinda do oceano mantêm chuvas moderadas a fortes na Serra fluminense, no leste mineiro, na Zona da Mata e no sul do Espírito Santo. Parte do interior de São Paulo tem pancadas isoladas à tarde. O padrão, portanto, é de Brasil partido ao meio: chuva e frio no Sul e Sudeste, calor e seca no Centro-Oeste e Norte.
Umidade crítica eleva risco de queimadas no Pantanal e no cerradoPara Mato Grosso do Sul, a preocupação não é a chuva — é a falta dela. Com a umidade relativa do ar oscilando entre 20% e 30%, o estado entra em faixa de atenção definida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que classifica índices abaixo de 30% como potencialmente prejudiciais à saúde, ao aumento do risco de incêndios e à perda de qualidade de vida da população. No Pantanal, bioma já historicamente castigado pelas queimadas de agosto e setembro, a combinação de calor, baixa umidade e vento moderado cria o ambiente ideal para o fogo se alastrar rapidamente.
Produtores rurais, especialmente nas regiões de Corumbá, Aquidauana e Miranda, devem redobrar os cuidados com o manejo de pastagens e evitar qualquer prática que possa gerar faísca. A previsão para os próximos dias não aponta entrada de frente fria com potencial de chuva expressiva em MS, o que significa que o cenário seco deve se manter ao menos até o início de setembro — período historicamente crítico para os incêndios no estado.
O contraste climático desta quinta é, em síntese, um retrato do Brasil em transição de estação: o Sul já sente o inverno se despedindo com uma última rajada, enquanto o Centro-Oeste ainda aguarda as primeiras chuvas que marcam a chegada da primavera e o alívio de meses de estiagem.
Fontes: CLIMATEMPO, INMET, CANAL RURAL