Rio Paraguai pode cair até 34 cm em Ladário até a próxima semana

Nível registrado em 19 de agosto foi de 2,28 metros, abaixo da média histórica, e previsão de chuva mínima preocupa 15 municípios do MS em situação de seca.

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O Rio Paraguai segue em queda no Pantanal sul-mato-grossense e pode recuar entre 17 e 34 centímetros até o final desta semana, segundo o 33º Boletim Semanal de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Em Ladário, o nível chegou a 2,28 metros no dia 19 de agosto — uma queda de 20 centímetros em relação ao início do mês, período em que a chuva acumulada na bacia ficou, paradoxalmente, 5% acima da média histórica.

O cenário desconcerta porque, no acumulado de janeiro a julho, a bacia do Rio Paraguai recebeu volume de chuva superior à série histórica de 1998 a 2025. Mesmo assim, agosto chegou com a torneira fechada: a previsão para o restante do mês é de apenas 2 milímetros de precipitação, concentrados principalmente na região de Miranda. Sem chuva suficiente para repor o que evapora e escoa, o rio continua perdendo altura.

Da Barra dos Bugres a Porto Murtinho, todo o trecho está abaixo da média

O boletim do SGB aponta que todos os pontos monitorados entre Barra dos Bugres (MT) e Porto Murtinho (MS) registraram cotas abaixo da média histórica para a data. Em Ladário, a régua caiu 13 centímetros na semana entre 12 e 19 de agosto, acumulando 20 centímetros de recuo desde o dia 5. Apesar da queda, o nível ainda se enquadra na faixa considerada normal para a época, que vai de 86 centímetros a 4,51 metros — mas a margem de segurança até o limite inferior está diminuindo a cada boletim.

A proximidade com o piso da normalidade é o ponto de atenção. Se a projeção de queda de até 34 centímetros se confirmar, Ladário se aproximará da metade inferior da faixa, e qualquer estiagem adicional poderia pressionar o indicador para o terreno de alerta.

Quinze municípios do MS já convivem com algum nível de seca

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec) classifica Ladário em situação de seca moderada — a mais grave entre os municípios afetados no estado. Outros 14 municípios estão em condição de seca fraca: Selviária, Aparecida do Taboado, Miranda, Inocência, Paraíso das Águas, São Gabriel do Oeste, Aquidauana, Figueirão, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim, Paranaíba, Cassilândia, Chapadão do Sul e Corumbá. A lista cobre tanto o Pantanal quanto boa parte do interior e do norte do estado, revelando que o problema não se restringe à planície alagável.

Em regiões como Corumbá e Aquidauana, a seca impacta diretamente a pecuária pantaneira, que depende da dinâmica hídrica do rio para a renovação das pastagens naturais das fazendas. Quando o nível do Paraguai não enche como esperado, o pulso de inundação — mecanismo que fertiliza o solo e regula o ecossistema — é comprometido, com reflexos sobre a produção e o preço do boi criado na planície.

O que esperar para as próximas semanas no Pantanal

Com apenas 2 mm de chuva previstos para o fim de agosto e a curva do rio em trajetória descendente, o monitoramento do SGB deve manter o Pantanal sob observação nas próximas semanas. A estiagem de agosto é historicamente esperada na região, mas a combinação entre nível abaixo da média e ausência de chuva aumenta a sensibilidade do sistema hidrológico a qualquer variação adicional.

Pesquisadores e gestores do setor agroambiental de MS acompanham os dados semanais do boletim para calibrar decisões sobre uso da água, navegação fluvial no corredor do Paraguai e monitoramento de incêndios — que tendem a se intensificar quando o solo pantaneiro seca além do habitual. A próxima leitura do nível em Ladário será determinante para confirmar ou revisar a projeção de queda.

Fontes: SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL, CEMTEC