Cientistas confirmam reprodução da maior águia do planeta no Pantanal
Ninho de harpia foi encontrado no Maciço do Urucum, em Corumbá, após anos de buscas; filhote registrado meses depois reforça importância da região para a espécie
Pesquisadores descobriram um ninho da harpia — a maior águia do planeta — no Maciço do Urucum, em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.
A localização do ninho ocorreu depois de aproximadamente uma década de monitoramento de um casal da espécie que vive na região.
A harpia, também conhecida como gavião-real, pode chegar a cerca de 2,20 metros de envergadura e é classificada como “quase ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A ave tem comportamento recluso e costuma construir seus ninhos em árvores de grande porte, muitas vezes acima de 40 metros de altura, o que torna o registro ainda mais raro e valioso.
Meses após a descoberta do primeiro ninho, em novembro de 2025, os pesquisadores conseguiram registrar pela primeira vez um filhote em outro ninho utilizado pelo mesmo casal. O nascimento confirmou que a espécie não apenas passa pela região, mas utiliza o Pantanal para se reproduzir.
Segundo o biólogo Gabriel Oliveira, que participa do monitoramento, o ninho encontrado em julho funcionava como uma espécie de reserva. O registro do filhote mostrou que a área é usada pelas aves em diferentes fases do ciclo reprodutivo.A reprodução da harpia é lenta e exige muito investimento dos pais. A fêmea geralmente coloca dois ovos, mas costuma sobreviver apenas um filhote. A incubação dura cerca de 56 dias e, após o nascimento, o jovem pode permanecer dependente dos adultos por até dois anos. O intervalo entre uma ninhada e outra pode chegar a aproximadamente três anos.
Para sobreviver, um casal de harpias precisa de grandes áreas contínuas de floresta — o território utilizado pode variar de 20 a 35 quilômetros quadrados. Como predadora de topo, a espécie ajuda a controlar populações de animais arborícolas e contribui para o equilíbrio do ecossistema.
A descoberta no Maciço do Urucum representa um avanço importante para os estudos sobre a harpia no Pantanal e reforça o papel da região como área essencial para a sobrevivência e a reprodução da maior águia do planeta.