Eclipse cobre 96% da Lua esta madrugada e pode ser visto de MS a olho nu

Fenômeno começa às 23h34 desta quinta e atinge ponto máximo às 1h13 de sexta; única ameaça à observação é chuva ou nebulosidade.

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Quem olhar para o céu na madrugada desta sexta-feira (28 de agosto) vai encontrar uma Lua com uma grande mordidinha escura — e depois avermelhada. A partir das 23h34 desta quinta (27), no horário de Brasília, tem início um eclipse parcial lunar visível em todo o Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul, sem necessidade de equipamento especial. O fenômeno dura 3 horas e 18 minutos, com o momento mais dramático às 1h13, quando a sombra da Terra cobre 96,2% da superfície da Lua.

Diferentemente de um eclipse solar — que exige óculos especiais e filtros para ser observado com segurança —, o eclipse lunar pode ser visto diretamente, de qualquer ponto ao ar livre. Em Mato Grosso do Sul, o céu de agosto costuma alternar períodos secos com frentes de instabilidade; se não houver nuvens, moradores de Campo Grande, Dourados, Corumbá e qualquer outra cidade do estado terão visão privilegiada, já que a Lua estará alta no céu durante todo o fenômeno.

Como a sombra da Terra engole a Lua

A explicação para o fenômeno está na geometria entre Sol, Terra e Lua. "Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra", explicou Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional. Ela detalha que todo corpo iluminado por uma fonte de luz produz duas zonas de sombra: a penumbra, mais clara, e a umbra, a região de escuridão intensa.

Das 22h24 em diante, a Lua já entra na penumbra — mas quem olhar para o céu não vai notar nenhuma mudança. "A gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença", afirmou a astrônoma. A mudança visível só começa às 23h34, quando a Lua toca a umbra e um pontinho preto começa a crescer até tomar quase toda a superfície. No pico do eclipse, às 1h13, a porção ainda iluminada é de apenas 3,8%, e a parte encoberta ganha tonalidade avermelhada — efeito da luz solar refratada pela atmosfera terrestre. Às 2h52, a fase parcial se encerra.

Por que nem toda Lua cheia vira eclipse

Se a Lua orbita a Terra e o Sol ilumina constantemente nosso planeta, por que o eclipse não acontece todo mês? A resposta está em uma inclinação de 5 graus. "Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse", explicou Josina Oliveira. Como os dois planos são levemente inclinados entre si, a Lua na maioria das Luas cheias passa acima ou abaixo da sombra da Terra, sem tocá-la.

Este eclipse pertence ao chamado Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que agrupa eclipses com características semelhantes. Em 2027, a dinâmica muda: a Lua passará apenas pela penumbra em dois eventos, sem que o escurecimento seja visível a olho nu. O eclipse desta madrugada, portanto, é raro na intensidade — quase um eclipse total sem sê-lo de fato.

Onde e como acompanhar em MS e no Brasil

Para quem está em Mato Grosso do Sul, o horário de Brasília é o mesmo utilizado na maior parte do estado. Quem estiver em municípios que adotam o fuso de UTC-4 (uma hora a menos) deve subtrair 60 minutos de todos os horários: o início da fase visível passa a ser às 22h34 e o pico, à meia-noite e 13 minutos. O instante físico é idêntico; apenas o relógio muda.

O Observatório Nacional transmite o evento ao vivo pelo YouTube a partir das 23h pelo programa O Céu em sua Casa: observação remota — o mesmo formato usado no eclipse solar no início de agosto. A transmissão pode ser retransmitida gratuitamente por qualquer veículo de comunicação mediante aviso prévio ao e-mail comunicacao@on.br. Para observar pessoalmente, basta encontrar um lugar com visão ampla do céu e paciência: o espetáculo dura mais de três horas.

Para Josina Oliveira, com 47 anos de carreira na astronomia, o eclipse tem um poder especial de aproximar as pessoas da ciência. "Não conheço, em 47 anos de profissão, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu", disse. É esse encantamento que o Observatório Nacional usa em projetos de educação em escolas e praças por todo o Brasil — e que esta madrugada coloca à disposição de qualquer sul-mato-grossense que olhar para cima.

Fontes: OBSERVATÓRIO NACIONAL, AGÊNCIA BRASIL