Candidato ao Senado propõe ponte Porto Jofre para ligar MT e MS no Pantanal

Mauro Mendes defende integração rodoviária entre os dois estados como estratégia para criar corredor turístico no bioma e atrair mais visitantes à região.

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O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) defendeu publicamente, nesta quarta-feira (19 de agosto), a construção de uma ponte sobre o rio Paraguai na região de Porto Jofre — ponto de divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — como peça central de um projeto para transformar o Pantanal em um destino turístico de escala nacional. A declaração foi feita em entrevista à Rádio Verde FM e repercutiu nos dois estados que dividem o maior wetland do planeta.

A proposta não é nova no debate político, mas ganha peso em ano eleitoral. Mato Grosso do Sul concentra a maior fatia da planície pantaneira acessível ao turismo já estruturado — com Corumbá, Miranda e a Estrada Parque como referências consolidadas — e qualquer conexão rodoviária com o Pantanal Norte, em MT, teria impacto direto no fluxo de visitantes que circula pelo lado sul-mato-grossense do bioma.

A lógica da ponte: turismo como argumento de conservação

Mendes articulou seu argumento em torno de uma premissa que ecoa entre ambientalistas e operadores de turismo: o que atrai visitantes tende a ser mais bem cuidado. "Tudo que o turismo usa, você preserva mais, você cuida mais. O Pantanal será muito mais bem cuidado a partir do momento em que o turismo ficar ainda maior ali", afirmou o candidato. Para ele, a ponte entre os dois estados criaria um corredor contínuo ligando o Pantanal Norte ao Sul, permitindo roteiros que hoje são inviáveis pela ausência de travessia permanente no trecho de Porto Jofre.

O candidato também usou como referência as obras de substituição das pontes de madeira da Transpantaneira por estruturas de concreto, realizadas durante seu governo em Mato Grosso. As antigas travessias de madeira, segundo ele, apodreciam, pegavam fogo e eram interrompidas com frequência durante o período de chuvas — chegando a deixar turistas retidos por dois ou três dias à espera de conserto. "Isso atrapalhava o turismo", resumiu.

Infraestrutura pública como condição para o setor privado avançar

Além da ponte, Mendes defendeu uma agenda mais ampla de investimentos públicos nos municípios pantaneiros — saneamento, abastecimento de água, pavimentação e urbanização — como pré-requisito para que a iniciativa privada amplie a oferta hoteleira e de serviços. Ele citou o distrito de Bom Jardim, em Nobres (MT), como exemplo de destino que só decolou após obras estruturantes do poder público. "O Estado faz infraestrutura, a iniciativa privada faz o resto", disse o candidato, acrescentando que apenas uma minoria dos viajantes tolera destinos de difícil acesso: "Mais de 90%, 98% gostam de ir bem, com tranquilidade, chegar bem."

O argumento tem respaldo em dados do setor. O turismo no Pantanal sul-mato-grossense já movimenta cifras relevantes em cidades como Corumbá e Miranda, mas especialistas apontam que a infraestrutura ainda é o principal gargalo para dobrar o número de visitantes — estimado, em anos recentes, na casa de centenas de milhares por temporada na Estrada Parque.

O que a proposta significa para Mato Grosso do Sul

Para o lado sul-mato-grossense, a ponte em Porto Jofre representaria uma mudança de rota literalmente: hoje, quem quer percorrer o Pantanal de ponta a ponta precisa retornar ao asfalto convencional, passando por Campo Grande ou Cuiabá — uma volta de mais de mil quilômetros. Uma travessia permanente no ponto de convergência dos dois Pantanais abriria a possibilidade de roteiros circulares, com entrada por um estado e saída pelo outro, algo que agências de turismo de Bonito, Miranda e Corumbá já discutem como produto de alto valor agregado para o mercado internacional.

A proposta ainda precisa superar barreiras concretas: custo de obra em área de várzea sujeita a cheias, licenciamento ambiental em bioma protegido e articulação entre governos de dois estados e a União. Mas o fato de um candidato ao Senado Federal colocar o tema no centro de sua campanha sinaliza que a discussão deve ganhar espaço no Congresso a partir de 2027 — com impacto direto nas demandas dos municípios pantaneiros de MS.

Fontes: O MATO GROSSO, RÁDIO VERDE FM