Trabalhadoras rurais de Bonito têm 4 dias para tirar RG e regularizar lote
Mutirão gratuito reúne nove órgãos em Bonito entre 25 e 28 de agosto para atender quem vive em assentamentos, aldeias e quilombos da região.
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Moradoras de assentamentos, aldeias indígenas, quilombos e acampamentos rurais de Bonito têm uma janela de quatro dias para resolver de graça uma série de pendências documentais que costumam exigir viagens longas e filas em várias repartições. O Mutirão de Documentação da Trabalhadora Rural acontece de 25 a 28 de agosto, a partir das 8h30, no Sindicato dos Servidores Públicos de Bonito, na Rua Luiz da Costa Leite, nº 425, Vila Donária.
A iniciativa concentra num só endereço serviços que normalmente demandam deslocamentos até Campo Grande ou Dourados — cidades a centenas de quilômetros de distância para boa parte da população rural do entorno de Bonito. Para quem vive em área de difícil acesso no Pantanal sul-mato-grossense, essa concentração de atendimento representa uma oportunidade rara.
RG novo com prioridade garantida para mulheresO serviço mais procurado deve ser a emissão do novo modelo de RG, e a organização do mutirão foi estruturada para garantir que as trabalhadoras rurais sejam atendidas primeiro. A prioridade e a exclusividade do atendimento durante os quatro dias são destinadas a elas. Só depois de esgotada essa demanda é que trabalhadores rurais do sexo masculino poderão ser encaminhados às vagas remanescentes.
Além do documento de identidade, o mutirão oferece regularização de lote, solicitação do CCU (Contrato de Concessão de Uso), atualização do Cadastro Único, emissão de CAF (Cadastro de Agricultor Familiar), certidões da Receita Federal, orientações de saúde e informações sobre linhas de crédito acessíveis à agricultura familiar.
Nove instituições mobilizadas num só ponto de atendimentoA amplitude dos serviços é resultado de uma articulação incomum: nove instituições se comprometeram a enviar equipes ao mesmo local durante o período. Participam a Agraer, a Prefeitura de Bonito, a Fapec, a UFMS, o Incra, o IFRN e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, além dos parceiros locais do sindicato. Essa convergência evita que a moradora rural precise agendar atendimentos separados em órgãos diferentes, muitas vezes com datas e locais distintos.
Para a região do Pantanal, onde comunidades quilombolas e assentamentos do Incra convivem com aldeias de etnias como os Terena e os Kadiwéu, a dificuldade de acesso à documentação básica é um obstáculo histórico para o acesso a políticas públicas, crédito rural e benefícios previdenciários.
O que o mutirão significa para quem vive no entorno de BonitoA regularização fundiária — sobretudo o CCU e a documentação do lote — é o passo que muitas famílias precisam dar antes de acessar financiamentos do Pronaf ou de programas habitacionais rurais. Sem o papel em ordem, o produtor fica de fora do sistema de crédito formal, depende de atravessadores e tem menos poder de negociação. O mutirão abre essa porta para quem mora a poucos quilômetros de um dos destinos turísticos mais visitados do Brasil, mas ainda enfrenta barreiras burocráticas típicas do interior profundo.
Quem precisar de mais informações pode procurar diretamente o Sindicato dos Servidores Públicos de Bonito ou as secretarias municipais participantes antes do início dos atendimentos na próxima terça-feira.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE BONITO