O calor extremo que castiga o Pantanal sul-mato-grossense ganhou números alarmantes neste fim de semana: Aquidauana registrou 40,2°C e se tornou a segunda cidade mais quente do Brasil, segundo dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul). A medição foi feita pelo sensor instalado na região da Nhecolândia, uma das sub-regiões mais secas do Pantanal.
O dado não é isolado. O mesmo levantamento aponta que Pedro Gomes, no norte do estado, marcou 39,7°C, e Corumbá, na fronteira com a Bolívia, chegou a 39,4°C. O cenário reflete uma onda de calor que atinge de forma especialmente severa as regiões pantaneira, norte, nordeste e leste de Mato Grosso do Sul — exatamente as áreas onde o Pantanal já enfrenta a pior temporada de queimadas dos últimos anos, com mais de 80 mil hectares destruídos em 2025.
Mais do que o calor em si, o dado que preocupa meteorologistas e autoridades de saúde é a umidade relativa do ar. Nas regiões afetadas, ela variou entre 12% e 20% — uma faixa classificada tecnicamente como clima desértico. Para efeito de comparação, o deserto do Saara costuma registrar umidade próxima de 25%. Em outras palavras, partes de Mato Grosso do Sul estiveram, neste fim de semana, mais secas do que boa parte dos desertos africanos.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alerta laranja para baixa umidade, indicando risco elevado de incêndios florestais e impactos diretos à saúde da população: ressecamento da pele, irritação nos olhos, boca e nariz, além de risco de desidratação rápida, especialmente em crianças e idosos.
A previsão do Cemtec não traz alívio imediato. Para os próximos dias, os termômetros devem se manter entre 37°C e 40°C nas regiões mais afetadas, com a umidade ainda em patamar crítico. O padrão atmosférico que sustenta esse calor — combinação de bloqueio de frentes frias e baixa nebulosidade — tende a se manter sobre o estado ao longo da semana.
Cidades como Corumbá, Miranda, Aquidauana e Coxim estão entre as mais vulneráveis. Além do desconforto imediato, a combinação de calor intenso e umidade baixíssima amplia o risco de novos focos de incêndio em áreas de vegetação nativa — um fator que, segundo bombeiros e especialistas, pode agravar ainda mais a crise ambiental no Pantanal neste segundo semestre.
As orientações das autoridades são claras: evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, aumentar a ingestão de água e líquidos, usar roupas leves e aplicar protetor solar com frequência. Atividades físicas ao ar livre não são recomendadas enquanto durar o alerta. Quem sentir sintomas como tontura, fraqueza intensa ou falta de ar deve buscar atendimento médico imediatamente ou acionar a Defesa Civil pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A situação evidencia um padrão que tem se intensificado nos últimos anos: as ondas de calor no Pantanal chegam mais cedo, duram mais e batem recordes com maior frequência — uma combinação que exige atenção permanente das autoridades e da população de todo o estado.
Fontes: CEMTEC, INMET