O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Ana Maria Moreira, em Três Lagoas, promoveu na última quarta-feira (12) um encontro sobre violência contra a mulher voltado às famílias cadastradas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A iniciativa, inserida na campanha nacional Agosto Lilás, reuniu 43 participantes e contou com palestra conduzida pela advogada Bruna Sian, que percorreu desde os tipos de violência reconhecidos pela legislação brasileira até os caminhos concretos para buscar ajuda.
A escolha do público-alvo não foi aleatória. Beneficiários do PAA são, em grande parte, famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica — exatamente o grupo com menor acesso a informações sobre direitos e menor contato com a rede de proteção. Levar o debate até essas pessoas, no espaço que já frequentam para retirar alimentos, amplia o alcance da política pública sem exigir que a vítima dê o primeiro passo sozinha.
A advogada Bruna Sian estruturou a palestra em torno de cinco formas de violência previstas na Lei Maria da Penha: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. O ciclo da violência — sequência de tensão, agressão e reconciliação que dificulta a saída de relacionamentos abusivos — foi explicado com ênfase nos sinais de alerta que antecedem as agressões mais graves. A abordagem prática foi um dos pontos mais elogiados pelos participantes na avaliação realizada ao final do evento.
Além do diagnóstico, o encontro entregou ferramentas: o número Disque 180, canal nacional gratuito e sigiloso de atendimento à mulher em situação de violência, foi apresentado junto com a descrição dos serviços disponíveis no próprio município, incluindo suporte jurídico e psicossocial. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) contribuiu com banners e folders distribuídos durante a atividade.
A organização ficou a cargo das assistentes sociais Maria Patricia de Oliveira Soares e Helenice de Sousa Silva dos Santos, que contaram com o espaço do Centro de Referência Esportiva e Educacional de Três Lagoas, mantido em cooperação com a Petrobras. A parceria entre CRAS, CRAM e o centro esportivo é um exemplo do modelo de rede intersetorial que o Suas — Sistema Único de Assistência Social — preconiza, mas que nem sempre se concretiza na prática.
O retorno dos participantes, segundo a equipe técnica, foi positivo, com destaque para a clareza da linguagem utilizada e para a importância do espaço aberto ao diálogo. Para muitos, foi a primeira vez que tiveram acesso a uma explicação detalhada sobre o que configura violência doméstica e como acionar os mecanismos de proteção.
A ação de quarta-feira não foi pontual. Ela marca a estreia de um cronograma fixo de debates semanais que o CRAS Ana Maria Moreira pretende manter ao longo dos próximos meses, abordando temas de relevância social identificados entre os usuários do equipamento. A proposta é criar um espaço permanente de informação e troca de experiências, fortalecendo os vínculos comunitários e ampliando o acesso da população aos seus direitos.
Em Mato Grosso do Sul, o Agosto Lilás ganhou força nos últimos anos como estratégia de enfrentamento a índices historicamente elevados de violência doméstica no estado. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o MS figura entre os estados com maiores taxas de feminicídio por 100 mil mulheres do país, o que torna iniciativas como a de Três Lagoas não apenas oportunas, mas estruturalmente necessárias — especialmente quando chegam a quem mais precisa.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS