USDA corta produtividade de soja e milho dos EUA e derruba estoques globais da oleaginosa

Relatório mensal de agosto do departamento americano revela queda na produtividade das duas culturas e redução de quase 3 milhões de toneladas nos estoques mundiais de soja.

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USDA corta produtividade de soja e milho dos EUA e derruba estoques globais da oleaginosa
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O relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última quarta-feira trouxe revisões para baixo na produtividade americana de soja e milho, enquanto os estoques globais de soja registraram queda expressiva — movimento que sacudiu as cotações na Bolsa de Chicago e acende um sinal de atenção para os produtores de Mato Grosso do Sul que monitoram o mercado internacional antes de tomar decisões de comercialização.

O boletim de agosto é um dos mais aguardados do calendário agrícola mundial porque consolida as primeiras estimativas concretas de produção para a safra 2026/27 dos Estados Unidos, ainda em desenvolvimento. Qualquer ajuste nesse documento repercute diretamente nos preços pagos ao produtor brasileiro — e o MS, como um dos maiores estados exportadores de soja e milho do país, sente esse efeito na ponta.

Produtividade americana recua nas duas culturas

No caso da soja, o USDA reduziu a estimativa de rendimento de 59,41 para 59,07 sacas por hectare nas lavouras americanas. O corte no milho foi proporcionalmente mais intenso: a produtividade passou de 191,45 para 189,04 sacas por hectare, uma redução de mais de dois sacas por hectare que pesa de forma relevante quando multiplicada pela extensão das áreas cultivadas nos EUA.

Em contrapartida, o departamento americano revisou para cima a área plantada de soja da safra 2026/27, que passou de 34,56 para 35,13 milhões de hectares. A área colhida também subiu, de 34,15 para 34,72 milhões de hectares. No milho, o movimento foi inverso: a área plantada foi cortada de 38,57 para 39,13 milhões de hectares — embora a área colhida tenha avançado de 35,37 para 35,85 milhões de hectares. A combinação entre área maior e produtividade menor define o volume final que chegará ao mercado.

Estoques globais de soja caem quase 3 milhões de toneladas

O dado que mais chamou atenção dos analistas foi o comportamento dos estoques mundiais de soja. O USDA reduziu a estimativa de 127,17 para 124,21 milhões de toneladas — uma queda de quase 3 milhões de toneladas em um único relatório, sinal de que a demanda global segue pressionando a oferta disponível. Já os estoques finais americanos da oleaginosa subiram levemente, de 8,44 para 8,71 milhões de toneladas, o que mostra que o aperto maior está fora dos EUA.

No milho, o cenário foi diferente: os estoques finais dos EUA recuaram de 19,65 para 19,51 milhões de toneladas, enquanto os globais avançaram de 272,84 para 273,25 milhões de toneladas — uma pressão relativamente moderada para a cultura. "O USDA ainda vai precisar olhar a questão da exportação", avaliou Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest e da Marex, indicando que os próximos relatórios podem trazer novos ajustes dependendo do ritmo de embarques americanos.

O que os números significam para o produtor sul-mato-grossense

Para os agricultores de Mato Grosso do Sul, que já planejam o plantio da safra 2025/26 e avaliam o momento certo para vender a produção, o relatório do USDA de agosto oferece uma leitura mista. A queda nos estoques globais de soja tende a sustentar preços internacionais mais firmes para a oleaginosa — o que beneficia quem ainda tem grãos em carteira ou fechará contratos futuros. Já no milho, o aumento dos estoques mundiais mantém o tom de pressão sobre as cotações, cenário que já desafia os produtores do estado há meses.

O MS é o quinto maior produtor de soja do Brasil e tem no agronegócio sua principal locomotiva econômica. Qualquer oscilação nos preços de Chicago repercute nos contratos negociados internamente, nas margens das cooperativas e no fluxo de caixa dos produtores. O próximo boletim do USDA, previsto para setembro, deve trazer novas atualizações à medida que a colheita americana avança — e o mercado já estará de olho em como a questão das exportações americanas vai se comportar nas próximas semanas.

Fontes: USDA


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