Soja recorde: 20 cidades colhem 14% de toda produção do Brasil

Com safra 2025/26 projetada em 180,5 milhões de toneladas, levantamento do IBGE revela quais municípios dominam a produção da principal commodity agrícola do país.

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Soja recorde: 20 cidades colhem 14% de toda produção do Brasil
Divulgação

O Brasil caminha para um novo recorde na produção de soja: 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 5,3% em relação à temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Por trás desse número impressionante, um dado revela a concentração geográfica da oleaginosa: apenas 20 municípios — de um total de 2.640 que cultivam soja no país — respondem por 14% de tudo que é colhido no Brasil, conforme o relatório Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgado pelo IBGE.

A marca recorde não é surpresa isolada. Ano após ano, o setor sojicultor brasileiro tem ampliado sua capacidade produtiva, mesmo diante de instabilidades climáticas que assustam outros segmentos do agronegócio. A resiliência dos produtores, aliada ao avanço tecnológico no campo e à expansão da fronteira agrícola, transforma a soja na engrenagem central da balança comercial brasileira — e eleva o peso estratégico das regiões que lideram o ranking.

Uma commodity que se espalha, mas se concentra no topo

A soja está presente em praticamente todos os biomas produtivos do país, de Norte a Sul. Dos 2.640 municípios que registram cultivo da oleaginosa, a grande maioria contribui com volumes relativamente modestos para a soma nacional. O que chama a atenção no levantamento do IBGE é a desproporcionalidade no topo: as 20 cidades mais produtoras juntas superam a soma de centenas de outros municípios. Esse fenômeno reflete tanto a escala das propriedades rurais nessas localidades quanto o nível de investimento em infraestrutura de armazenagem, logística e insumos concentrado nessas regiões.

Os chamados "reis da soja" estão distribuídos principalmente nos estados do Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul — eixo que historicamente domina a produção de grãos no Brasil. A presença de municípios sul-mato-grossenses nessa elite produtiva reforça o papel do estado como um dos pilares do agronegócio nacional.

O peso de Mato Grosso do Sul no mapa da soja

Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior participação no volume nacional de soja, sustentado por municípios como Maracaju, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste, que compõem a espinha dorsal da produção de grãos do estado. A combinação de solo favorável no Cerrado sul-mato-grossense, clima previsível na maior parte do ciclo produtivo e proximidade com corredores logísticos consolida a região como destino preferencial de investimentos no setor.

A safra 2025/26 deve confirmar volumes expressivos também para os produtores de MS, em linha com a trajetória nacional de crescimento. Para o agronegócio local, isso significa mais geração de renda no campo, maior movimentação nos armazéns e portos secos do estado e impacto direto sobre o PIB regional — que tem no agro um de seus principais sustentáculos.

Recordes seguidos e o desafio de manter o crescimento

A projeção de 180,5 milhões de toneladas para a safra atual representa mais um capítulo de uma sequência quase ininterrupta de recordes. Desde a expansão da soja para o Cerrado nas décadas de 1980 e 1990, o Brasil foi gradualmente substituindo os EUA como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa — posto que mantém há mais de uma década.

O desafio, agora, é sustentar o crescimento sem comprometer a sustentabilidade ambiental e garantir a competitividade logística necessária para escoar volumes cada vez maiores. Para os 20 municípios no topo do ranking, a pressão é dupla: manter a produtividade e acompanhar as exigências crescentes dos mercados importadores, sobretudo na União Europeia, que desde 2025 cobra comprovação de rastreabilidade e desmatamento zero na cadeia de fornecimento de soja.

O Brasil que produz soja em mais de dois mil municípios depende, em grande medida, desse grupo seleto de 20 cidades para garantir o volume que sustenta bilhões de dólares em exportações. E Mato Grosso do Sul, com suas lavouras de Cerrado, segue como parte indispensável dessa equação.

Fontes: IBGE, CONAB


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