Apex Brasil reembolsa até R$ 40 mil por certificação para exportadores fora dos EUA
Agência lança plano de R$ 210 milhões com inscrições abertas para 5.300 empresas atingidas pelo tarifaço americano, incluindo setores fortes em MS.
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A Apex Brasil abriu nesta semana as inscrições para um programa de R$ 210 milhões destinado a empresas brasileiras que perderam competitividade no mercado americano após a escalada tarifária dos Estados Unidos. O plano cobre isenção total das taxas cobradas pela agência e reembolso de até R$ 40 mil por empresa para custear novas certificações exigidas em mercados alternativos — Europa, América Latina, Canadá, México, África, Ásia e Oriente Médio.
O pano de fundo é concreto: só no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA recuaram US$ 2,9 bilhões em comparação ao período anterior, reflexo direto das sobretaxas impostas por Washington. Com 35 setores na mira e mais de 300 ações previstas, a Apex tenta redirecionar esse fluxo antes que as perdas se tornem estruturais.
Como funciona o acesso ao programaAs empresas interessadas se inscrevem diretamente junto à Apex e, uma vez habilitadas, deixam de pagar qualquer taxa à agência durante a vigência do plano. O benefício mais concreto para quem precisa entrar em novos mercados é o ressarcimento de até R$ 40 mil em despesas com certificações — documentos sanitários, laudos técnicos e selos de conformidade que países como Japão, Coreia do Sul e membros da União Europeia exigem como condição de entrada.
A meta é alcançar 5.300 empresas ao longo do programa. A Apex não especificou prazo de encerramento das inscrições, mas orientou os interessados a acessar o portal da agência imediatamente após a abertura oficial, dada a escala esperada de demanda.
Couro, alimentos e agro entre os mais afetadosO setor coureiro é um dos exemplos mais citados pela Apex: os Estados Unidos são o segundo maior comprador do couro brasileiro, e as tarifas criaram um gargalo imediato para curtumes e fabricantes de calçados. O agronegócio também figura entre os segmentos prioritários — produtos processados de soja, milho e proteína animal encontraram barreiras adicionais nas alfândegas americanas nos últimos meses.
Para Mato Grosso do Sul, o programa chega em momento estratégico. O estado é o segundo maior produtor nacional de carne bovina e responde por fatia relevante das exportações de soja e milho. Frigoríficos, curtumes e tradings com sede ou operação em MS se enquadram diretamente nos critérios do plano, especialmente os que já tinham os EUA como destino consolidado e agora precisam abrir rotas para Ásia e Oriente Médio.
Diversificação como resposta de longo prazoA estratégia da Apex vai além do socorro imediato. A agência vê na crise tarifária uma oportunidade de desfazer uma concentração que sempre foi considerada um risco: em alguns setores, os EUA chegaram a absorver mais de 30% das exportações brasileiras. Redirecionar esse volume para mercados como Índia, Emirados Árabes e países do Sudeste Asiático exige tempo, mas as certificações financiadas pelo programa aceleram essa curva.
Para as empresas sul-mato-grossenses, a janela é relevante: mercados asiáticos já absorvem boa parte da proteína animal e dos grãos do estado, e o reembolso de certificações pode baratear a entrada em nichos de maior valor agregado — como carne com rastreabilidade auditada por protocolos japoneses ou europeus. O próximo passo é acompanhar se o volume de R$ 210 milhões será suficiente para atender a fila que deve se formar nas próximas semanas.
Fontes: APEX BRASIL, CANAL RURAL