China compra 136 mil t de soja dos EUA em novo negócio confirmado pelo USDA
Departamento de Agricultura americano registrou nova venda à China nesta terça (11), mantendo pressão competitiva sobre a soja brasileira no mercado global.
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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta terça-feira (11) uma nova compra chinesa de 136 mil toneladas de soja norte-americana, sinal de que Pequim segue diversificando suas fontes de abastecimento mesmo em um período em que o Brasil domina boa parte das exportações globais do grão. No mesmo comunicado, o órgão registrou ainda a venda de 180 mil toneladas de farelo de soja para as Filipinas, ampliando o alcance do complexo soja americano no mercado asiático.
A movimentação é a primeira reportada na semana pelo USDA e chama atenção pela continuidade da presença chinesa no mercado dos EUA — mesmo em um momento em que tensões comerciais entre as duas potências seguem no radar dos analistas. Para os produtores de Mato Grosso do Sul, que dependem diretamente do humor das cotações em Chicago e dos prêmios nos portos brasileiros, cada negócio confirmado entre Washington e Pequim funciona como um termômetro do apetite global pela oleaginosa.
Por que a China compra dos EUA mesmo com a soja brasileira disponívelA estratégia chinesa de manter compras regulares nos Estados Unidos, mesmo durante a janela de exportação brasileira, responde a uma lógica de segurança alimentar: diversificar origens para evitar dependência excessiva de um único fornecedor. O volume de 136 mil toneladas não é extraordinário isoladamente, mas, somado a outras transações da série, indica que Pequim está acelerando encomendas para entrega futura — prática comum quando o comprador antecipa aperto de oferta ou alta de preços.
Esse comportamento tem efeito direto nas cotações. Negócios regulares entre China e EUA sustentam os futuros em Chicago, que por sua vez balizam os preços pagos nos portos brasileiros — e, por consequência, nas praças do interior de Mato Grosso do Sul, de Dourados a Maracaju, passando por São Gabriel do Oeste e Chapadão do Sul.
Filipinas entram no radar como compradores de fareloA venda de 180 mil toneladas de farelo de soja para as Filipinas merece atenção separada. O farelo é o principal subproduto do esmagamento da soja e tem demanda crescente em países do Sudeste Asiático, onde a produção de proteína animal — especialmente frango e suíno — avança rapidamente. A entrada filipina como compradora no mesmo comunicado que registra a venda chinesa reforça que o complexo soja americano está ativo em múltiplas frentes simultaneamente.
Para o setor de esmagamento brasileiro, que ganhou capacidade instalada nos últimos anos em estados como Mato Grosso do Sul, a concorrência americana no farelo é um dado relevante. Plantas industriais em Três Lagoas e na região de Dourados exportam parte de sua produção de farelo, e qualquer movimento dos EUA nesse segmento pode influenciar os prêmios pagos pelos importadores asiáticos.
O que o produtor sul-mato-grossense deve observarCom a safra 2024/25 praticamente colhida e o planejamento da próxima já em marcha, o produtor de MS acompanha com atenção qualquer sinal de demanda sustentada da China. Compras regulares chinesas nos EUA, mesmo que não sejam volumes recordes, tendem a manter um piso de suporte para os futuros em Chicago — e um Chicago firme facilita negociações nos portos de Santos e Paranaguá, que são as principais saídas da produção sul-mato-grossense.
O cenário, porém, exige cautela. Variáveis climáticas nos EUA — chuvas em excesso ou seca no Corn Belt — podem alterar rapidamente a oferta americana e mudar o ritmo das compras chinesas. O mercado seguirá atento ao próximo relatório de oferta e demanda do USDA, que costuma ser o principal catalisador de volatilidade nas cotações globais da soja.
Fontes: USDA