Milho trava antes do relatório USDA; B3 oscila entre R$ 69 e R$ 78

Mercado de Chicago registra leves recuos nesta terça-feira enquanto investidores aguardam dados do Departamento de Agricultura dos EUA previstos para quarta.

Por

Divulgação

O milho futuro opera sem direção definida nesta terça-feira, 11 de julho, tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto na B3, enquanto traders e produtores rurais seguram suas posições à espera do relatório mensal de oferta e demanda que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publica nesta quarta-feira, 12 de julho. Para o produtor sul-mato-grossense que precisa decidir entre vender agora ou segurar o grão, o momento pede cautela.

A paralisia dos preços não é acidente: o USDA publica todo mês o chamado WASDE — relatório que reestima estoques, produção e consumo global de grãos — e o mercado costuma zerar apostas nas 24 horas anteriores à divulgação. Qualquer revisão nas estimativas de área plantada nos Estados Unidos pode remodelar as cotações de forma abrupta.

Cotações na CBOT registram recuos moderados

Por volta das 13h26 (horário de Brasília), as principais posições em Chicago acumulavam perdas pequenas, mas generalizadas. O contrato com vencimento em setembro/26 era negociado a US$ 4,37 por bushel, queda de 0,75 ponto; o dezembro/26 valia US$ 4,61, com baixa de 0,50 ponto; o março/27 estava em US$ 4,76 (-0,75 ponto) e o maio/27 em US$ 4,85 (-0,75 ponto).

"Os investidores estão começando a se posicionar. Há alguma preocupação de que o USDA possa encontrar áreas adicionais de plantio de milho, o que seria uma surpresa negativa. No entanto, a longo prazo, permanecemos mais otimistas até outubro", avaliou Cole Raisbeck, corretor de commodities da Kluis Commodity Advisors, em declaração ao site especializado Successful Farming. A leitura do mercado é que uma área plantada maior nos EUA significaria oferta mais farta — e, portanto, pressão de baixa sobre os preços.

B3 segue o mesmo ritmo de espera

No mercado doméstico, a B3 também registrava variações mínimas às 13h35. O contrato de setembro/26 era cotado a R$ 69,74 (-0,19%); o janeiro/27 valia R$ 77,16 (-0,05%); o março/27 estava em R$ 78,65 (-0,04%) e o maio/27 em R$ 77,51, único com variação positiva, de +0,58%. A faixa entre R$ 69 e R$ 79 resume a banda de negociação do dia — estreita para um mercado que pode se mover com força assim que o USDA revelar seus números.

Para o produtor de Mato Grosso do Sul, terceiro maior estado produtor de milho do país, a leitura do relatório do USDA amanhã pode influenciar tanto a velocidade de comercialização da safra atual quanto as decisões de plantio para a próxima temporada. O estado colheu volume expressivo na segunda safra deste ano, e parte dos grãos ainda aguarda negociação nos armazéns regionais.

O que esperar após o relatório de quarta-feira

O mercado deve retomar volatilidade assim que o USDA divulgar o WASDE. Se a agência confirmar área de plantio dentro do esperado — ou até menor —, os preços tendem a reagir com alta. A revisão para cima na área plantada, por outro lado, poderia derrubar as cotações e pressionar produtores que ainda não fecharam contratos de venda.

O cenário de médio prazo, segundo a leitura de analistas como Raisbeck, segue com viés positivo até outubro, período em que a colheita norte-americana começa a pesar sobre os estoques globais. Até lá, a palavra de ordem nos mercados de grãos é aguardar — e o milho, por ora, obedece.

Fontes: USDA, CBOT, B3, KLUIS COMMODITY ADVISORS