Usinas de etanol e preços futuros aceleram vendas de grãos em MT
Relatório do Imea mostra que soja, milho e algodão registraram avanço expressivo na comercialização em julho, com destaques distintos para cada cultura.
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A demanda aquecida das usinas de etanol e a valorização dos preços no mercado futuro foram os principais motores do avanço nas vendas de grãos em Mato Grosso durante julho de 2026, segundo relatório divulgado pelo Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Soja, milho e algodão registraram ganhos expressivos no ritmo de comercialização, cada um com uma dinâmica própria que revela tanto oportunidades quanto cautela por parte dos produtores.
O levantamento chega em um momento em que o agronegócio do Centro-Oeste vive uma espécie de contradição produtiva: safras recordes convivem com preços mais firmes, e o que seria um cenário de excesso de oferta está sendo compensado por uma demanda interna surpreendentemente robusta. Para os produtores de Mato Grosso do Sul, que compartilham rotas de escoamento e dinâmicas de mercado semelhantes às do estado vizinho, o movimento é um termômetro relevante para as próximas decisões comerciais.
Milho bate concorrência internacional graças às usinasO milho foi o caso mais emblemático do período. Mesmo com uma safra projetada como recorde, as vendas da colheita 2025/26 avançaram 13,69 pontos percentuais ao longo de julho e chegaram a 64,29% da produção estimada — superando o índice do mesmo período da safra anterior em 3,18 pontos percentuais. O fator decisivo foi o apetite das usinas de etanol de milho, que absorveram uma fatia considerável da produção e tornaram o mercado doméstico competitivo frente ao mercado externo.
"Apesar da safra recorde, a crescente demanda das usinas de etanol absorveu parcela significativa da produção, tornando o mercado interno competitivo ao mercado internacional e reduzindo a pressão da elevada oferta de milho no estado", explicam os técnicos do Imea. Para a safra seguinte, 2026/27, a comercialização já atingiu 10,62% da produção projetada, mas o ritmo é levemente menor que o do ciclo anterior — reflexo da cautela dos produtores diante dos riscos climáticos associados ao El Niño e do aumento nos custos de produção.
Soja na entressafra: menor oferta valoriza o grãoA soja viveu uma situação clássica de entressafra: com menos grão disponível nos armazéns, o preço subiu e os produtores aproveitaram para acelerar as negociações. As vendas da safra 2025/26 chegaram a 93,06% da produção total em julho, avanço de 5,38 pontos percentuais em relação a junho e 4,34 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra passada. O preço da saca fechou em média a R$ 121,11, após alta de R$ 6,18 por saca no período.
O cenário para a próxima safra também é positivo: a comercialização da 2026/27 alcançou 30,23% da produção estimada, avanço de 6,90 pontos percentuais ante o mês anterior e 7,75 pontos percentuais acima do que havia sido negociado no mesmo ponto do ciclo anterior. O relatório do Imea atribui esse desempenho à valorização dos contratos futuros da oleaginosa, que estimulou novos fechamentos de negócios antecipados.
Algodão: bolsa de NY sustenta preços, mas qualidade preocupaO algodão da safra 2025/26 chegou a 74,08% da produção estimada comercializada, com avanço mensal de 1,06 ponto percentual. O ritmo, porém, desacelerou nos últimos meses. A valorização na bolsa de Nova York (NY) sustentou os preços, mas parte dos produtores optou por adiar as vendas da pluma por preocupações com a qualidade da fibra — um ponto de atenção que ganhou destaque entre os agricultores durante a colheita.
Para a safra seguinte, o movimento foi na direção oposta: a comercialização da 2026/27 alcançou 32,44% da produção estimada, avanço de 3,08 pontos percentuais ante junho e salto de 9,43 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior. "O maior percentual no comparativo entre safras está relacionado à estratégia de aproveitar os melhores patamares de preços atuais, diante das incertezas quanto ao comportamento do mercado ao longo da safra", detalha o Imea.
Para o produtor sul-mato-grossense, o cenário desenhado em Mato Grosso serve de referência direta. MS compartilha os mesmos corredores de exportação, enfrenta custos de produção semelhantes e possui uma cadeia de etanol de milho em expansão — o que significa que as mesmas forças que moveram o mercado no estado vizinho tendem a se repetir na próxima janela de comercialização local.
Fontes: IMEA