Safra recorde trava armazéns em MT e chuvas freiam colheita no MS
Com produtividade perto de máximos históricos, Mato Grosso enfrenta gargalos logísticos enquanto MS tem colheita desacelerada por chuvas na região de fronteira com o Paraguai.
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A colheita da segunda safra de milho avança pelo Brasil com números expressivos, mas a abundância está criando problemas: em Mato Grosso, produtividades próximas aos recordes históricos lotaram os armazéns e deixaram parte do cereal estocado a céu aberto, enquanto em Mato Grosso do Sul as chuvas da última semana frearam o ritmo das colheitadeiras, especialmente nas áreas que fazem divisa com o Paraguai.
Os dados são do monitoramento de lavouras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados na última semana. O levantamento mostra que o avanço da safrinha no país é real — mas desigual, com desafios distintos em cada estado produtor.
Quase metade de MS ainda aguarda colheitaAté a última sexta-feira, 78,2% das áreas de safrinha no Brasil já haviam sido colhidas — avanço considerável frente aos 69,1% registrados na semana anterior. Ainda assim, o índice fica abaixo dos 83,7% alcançados no mesmo período de 2024 e da média dos últimos cinco anos, que era de 81,4%.
Mato Grosso do Sul aparece entre os estados mais atrasados no calendário: apenas 47% das áreas foram colhidas até agora. A principal razão apontada pelos técnicos da Conab é o volume de chuvas registrado na semana, que dificultou a entrada de máquinas nas lavouras, sobretudo nas propriedades localizadas próximas à fronteira com o Paraguai. O restante da safrinha no estado está distribuído entre áreas ainda em maturação e talhões em enchimento de grãos.
MT no limite da capacidade de armazenagemO cenário oposto se vive em Mato Grosso, onde 99,4% da safrinha já foi colhida. A velocidade do processo, aliada à alta produtividade — descrita pela Conab como próxima dos recordes obtidos na safra passada —, resultou em um estrangulamento da cadeia logística. Armazéns lotados forçaram produtores a manter parte do milho exposto ao tempo, aumentando o risco de perdas por umidade e pragas.
Esse tipo de gargalo não é inédito no agronegócio brasileiro, mas tende a se agravar em anos de colheita excepcional: a infraestrutura de armazenagem do país historicamente cresce em ritmo mais lento do que a produção. Para o mercado de grãos, o excesso de oferta concentrado geograficamente também pressiona os preços pagos ao produtor, já que o escoamento por rodovias e ferrovias não consegue dar vazão ao volume disponível no mesmo compasso em que ele sai do campo.
O que esperar para as próximas semanas em MSCom 47% da área ainda para ser colhida, Mato Grosso do Sul tem pela frente um período intenso de trabalho no campo. As condições climáticas serão determinantes: se o tempo fechar, o ritmo pode ser retomado com força; se as chuvas persistirem, parte da produção corre risco de sofrer acamamento — problema que já afeta o Paraná, onde as chuvas frequentes têm causado o tombamento das plantas, comprometendo a qualidade dos grãos.
Para os produtores sul-mato-grossenses que aguardam janelas de tempo seco, a pressão é dupla: garantir a qualidade do que ainda está no campo e encontrar espaço nos armazéns para acomodar o volume que virá — especialmente num momento em que a capacidade regional já sente os reflexos do excedente gerado pelo estado vizinho. A safra 2024/25 de milho deve confirmar, mais uma vez, que produzir bem é apenas parte do desafio: escoar e armazenar com eficiência continua sendo o nó central do agronegócio nacional.
Fontes: CONAB