Soja sobe em Chicago, mas produtores seguram estoque esperando relatório dos EUA
Com prêmios firmes e dólar em alta, negociações no mercado físico avançaram pouco nesta segunda; USDA deve cortar estimativas da safra americana na quarta-feira.
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O mercado físico de soja registrou alta moderada em boa parte das praças brasileiras nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, mas o volume de negócios ficou abaixo do esperado. O motivo é simples: produtores capitalizados preferem segurar o que ainda têm em estoque, apostando em preços ainda melhores antes de fechar novos negócios — uma postura que reflete tanto a cautela quanto a expectativa em torno do relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para quarta-feira, 12 de agosto, às 13h.
A combinação de ganhos moderados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e valorização do dólar ajudou a sustentar as cotações no mercado interno, mas não foi suficiente para destravar vendas em grande escala. Para o produtor rural de Mato Grosso do Sul — um dos maiores estados produtores de soja do país —, o momento pede atenção redobrada aos dados que virão dos Estados Unidos.
Prêmios firmes sustentam estratégia de espera"Os prêmios permanecem em níveis importantes e firmes, enquanto Chicago e o dólar tiveram uma sessão de ganhos, ainda que moderados", destacou Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, as cotações atuais representam boas oportunidades de venda, mas o produtor que tem fôlego financeiro está optando por aguardar antes de colocar mais grãos no mercado.
Na CBOT, os contratos futuros da soja em grão com entrega em novembro fecharam a US$ 11,79 por bushel, alta de 0,27%. A posição de janeiro ficou em US$ 11,94 por bushel, avanço de 0,29%. No câmbio, o dólar comercial encerrou a R$ 5,1113 para venda, com valorização de 0,53% na sessão — oscilando entre R$ 5,0832 e R$ 5,1197 ao longo do dia.
Nos subprodutos, o farelo de soja recuou: a posição dezembro fechou a US$ 311,60 por tonelada, queda de 0,57%. Já o óleo de soja foi na direção oposta, com alta de 1,85%, encerrando a 69,14 centavos de dólar por libra-peso.
USDA deve cortar estimativas e mercado já precificaA expectativa em torno do relatório do USDA domina as conversas nos mercados agrícolas. Analistas consultados por agências internacionais projetam que a produção norte-americana de soja na safra 2026/27 será revisada para baixo, de 4,475 bilhões de bushels — número divulgado em julho — para cerca de 4,469 bilhões de bushels. Uma diferença pequena, mas suficiente para movimentar posições.
Para os estoques de passagem dos EUA em 2026/27, o mercado projeta manutenção em torno de 302 milhões de bushels. Já para a safra anterior (2025/26), a estimativa é de corte de 330 milhões para 324 milhões de bushels. No cenário global, os estoques finais mundiais de soja em 2026/27 devem subir levemente, de 124,2 milhões para 124,4 milhões de toneladas, enquanto os de 2025/26 devem ser revisados de 125,3 para 125,6 milhões de toneladas.
Um fator externo também influenciou o humor dos mercados nesta segunda: a recuperação do petróleo, que avançou mais de 4% por conta das incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã, ajudou a dar sustentação às commodities agrícolas de modo geral.
O que esperar para o produtor sul-mato-grossensePara o produtor de soja de Mato Grosso do Sul, que já concluiu a colheita da safra 2025/26 e começa a planejar o plantio da próxima temporada, o comportamento dos preços nas próximas 48 horas pode definir o ritmo de comercialização do que ainda está guardado nos armazéns. Municípios como Maracaju, Sidrolândia, Dourados e Chapadão do Sul — entre os maiores produtores do estado — acompanham de perto cada variação de Chicago e do câmbio.
A cautela do produtor capitalizado, identificada pela Safras & Mercado, é um termômetro relevante: quando quem tem condições de esperar escolhe esperar, o mercado interpreta que há perspectiva de preços mais altos à frente. O relatório do USDA de agosto será o próximo divisor de águas — e a reação dos preços na quarta-feira deverá ditar o compasso das negociações ao longo da segunda quinzena do mês.
Fontes: SAFRAS & MERCADO, USDA, CBOT