Bicudo-do-algodoeiro ameaça soqueiras enquanto MT colhe 80% no Araguaia

Levantamento da AMPA entre 2 e 8 de agosto mostra colheita avançada em Primavera do Leste, mas pragas e chuvas pressionam outras regiões produtoras de Mato Grosso.

Por

Divulgação

A cotonicultura de Mato Grosso vive dois tempos simultâneos nesta semana: enquanto Primavera do Leste, no Vale do Araguaia, já retirou 80% da área cultivada de algodão dos campos, outras regiões do estado travam uma corrida contra o relógio para conter o avanço do bicudo-do-algodoeiro nas soqueiras restantes. Os dados são do boletim semanal da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), com referência ao período de 2 a 8 de agosto de 2026.

O contraste entre regiões revela que a safra 2025/2026 do algodão matogrossense não foi uniforme. Chuvas fora de hora prejudicaram o ritmo de colheita em municípios do Noroeste e do Centro, enquanto a rebrota de plantas — fenômeno natural após o corte — cria novos focos de infestação por pragas, obrigando produtores a manter equipes de monitoramento ativas mesmo com a temporada na reta final.

Primavera do Leste dita o ritmo e já prepara a próxima safra

Referência nacional na produção de algodão, Primavera do Leste registra produtividade entre 280 e 320 arrobas por hectare nesta temporada e lidera o avanço estadual na colheita. Além de acelerar o beneficiamento da fibra, os produtores do município já iniciaram o preparo do solo para o plantio da soja, evidenciando a integração entre culturas que caracteriza o agronegócio do Cerrado matogrossense. A expectativa local é de expansão da área destinada ao algodão na temporada seguinte, o que consolida ainda mais a posição do município como polo cotonicultor.

No Norte do estado, Sorriso colheu 52% da área, com produtividade oscilando entre 260 e 390 arrobas por hectare — uma amplitude que reflete variações de manejo e solo entre propriedades. Em Lucas do Rio Verde, metade dos campos foi colhida, a média chegou a 310 arrobas por hectare, o rendimento de fibra atingiu 41% e 15% do volume já passou pelo beneficiamento. Chuvas pontuais afetaram lotes isolados no município durante o período analisado.

Chuvas e pragas complicam colheita no Centro e no Noroeste

Em Campo Novo do Parecis, no Médio Norte, os trabalhos foram retomados após um interregno forçado pelas precipitações. As chuvas anteriores deixaram marcas: perda de qualidade e queda de rendimento em alguns talhões, além de favorecer a rebrota das plantas — condição que amplia a superfície disponível para o bicudo se reproduzir. Os produtores reforçaram as ações de controle nas áreas de soqueira para evitar que o problema se arraste para a próxima safra.

Sapezal, no Noroeste, contabiliza apenas 25% da área colhida, ritmo prejudicado pelos atrasos das chuvas, apesar de registrar produtividade média de 350 arrobas por hectare — um dos índices mais elevados do levantamento. No Centro, Campo Verde também marcou 25% de colheita e 12% de beneficiamento, com produtividade entre 260 e 360 arrobas. Ali, o foco do manejo está no monitoramento simultâneo do bicudo e da mosca-branca, que aparece como ameaça secundária na região.

Sul do estado acelera e aponta variações na qualidade da fibra

Rondonópolis, maior polo do Sul matogrossense, atingiu 45% da área colhida, com produtividade entre 250 e 350 arrobas por hectare. O boletim da AMPA chama atenção para variações na espessura da fibra em determinadas áreas do município, fator que pode impactar o valor comercial do produto. A rebrota das plantas também preocupa os técnicos locais, que reforçam a necessidade de destruição das soqueiras como medida preventiva contra novos focos de bicudo.

Para Mato Grosso do Sul, o desempenho do vizinho tem peso direto: o estado divide com MT o bioma do Cerrado e enfrenta os mesmos desafios climáticos e fitossanitários. Produtores sul-mato-grossenses que cultivam algodão — especialmente nas regiões de Chapadão do Sul e Costa Rica — acompanham de perto os boletins da AMPA como referência técnica para calibrar o próprio manejo. A pressão do bicudo-do-algodoeiro não respeita fronteiras estaduais, e o controle coordenado entre regiões é apontado por especialistas como condição essencial para a sustentabilidade da cultura no médio prazo.

Fontes: AMPA — ASSOCIAÇÃO MATO-GROSSENSE DOS PRODUTORES DE ALGODÃO