USDA pode cortar produtividade do milho nos EUA e mercado aguarda revisão
Futuros do milho recuam em Chicago na segunda-feira enquanto analistas esperam relatório do USDA na quarta com possível redução de 182,4 bpa na estimativa de safra americana.
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O mercado internacional de milho operou em baixa nesta segunda-feira (10) na Bolsa de Chicago (CBOT), com investidores segurando posições à espera do relatório de produção e oferta do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para quarta-feira. O documento é aguardado com expectativa porque pode trazer revisões para baixo nas perspectivas da safra americana e uma oferta mais apertada em 2027.
O cenário climático favorável nas principais regiões produtoras dos EUA pesa contra qualquer movimento de alta. Chuvas generosas na semana passada e novas precipitações previstas para os próximos dias em estados como Illinois, Indiana, Ohio, Nebraska e Dakota do Sul tiram urgência do mercado e reduzem o apetite especulativo. Para o produtor brasileiro — e especialmente o sul-mato-grossense — o movimento de Chicago serve de termômetro para calibrar estratégias de venda da safrinha que ainda está sendo colhida no Centro-Sul do país.
O que os preços indicam no momentoPor volta das 12h29 (horário de Brasília), os contratos futuros do milho recuavam em Chicago. O vencimento setembro/26 era cotado a US$ 4,36, com queda de 2,25 pontos. O contrato de dezembro/26 marcava US$ 4,59 com a mesma perda, enquanto março/27 era negociado a US$ 4,75 e maio/27 chegava a US$ 4,84, ambos recuando 2,25 e 2 pontos, respectivamente.
O analista Bruce Blythe, do site especializado Farm Futures, explica o movimento. "O mercado de grãos continua em grande parte focado no clima do Meio-Oeste e nos relatórios do USDA, que devem incluir revisões ligeiramente para baixo nas perspectivas para a safra de milho e uma previsão de oferta mais restrita para 2027", disse Blythe. Segundo ele, a estimativa média de produtividade americana pode ser reduzida para 182,4 bushels por acre, ante os 183 bpa atuais — corte pequeno, mas suficiente para mexer com as expectativas de suprimento global.
Chuvas nos EUA travam a alta dos preçosO principal fator de pressão vendedora é o clima benigno nas lavouras norte-americanas. "A maior parte do Centro-Oeste recebeu chuvas generosas na semana passada e mais chuvas estão previstas para esta semana, inclusive para a região oeste, mais seca e produtora de milho", detalhou Blythe. As projeções do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA indicam acumulados de 25 a mais de 75 milímetros em Illinois, Indiana e Ohio até o próximo sábado, com Nebraska e Dakota do Sul devendo receber entre 25 e 50 milímetros no mesmo período.
O analista ressalta que as previsões de longo prazo apontam temperaturas ligeiramente mais altas, mas sem alteração nas probabilidades de precipitação, que seguem normais a acima do normal para a região. Em resumo: por enquanto, a lavoura americana está bem servida de água, o que limita qualquer rally dos preços.
Bolsa brasileira vai na contramão e MS acompanha de pertoEnquanto Chicago recuava, a B3 — Bolsa brasileira — operava no campo positivo na tarde desta segunda-feira. Os contratos de milho futuro negociados no mercado doméstico flutuavam entre R$ 69,11 e R$ 78,05 por volta das 12h35. O vencimento setembro/26 era cotado a R$ 69,11 com alta de 0,42%, o contrato de janeiro/26 marcava R$ 76,77 com ganho de 0,08% e março/27 subia 0,13%, chegando a R$ 78,05.
Para Mato Grosso do Sul, que figura entre os principais estados produtores de milho safrinha do Brasil, a divergência entre os dois mercados é relevante. A colheita do Centro-Sul avança e os produtores sul-mato-grossenses precisam decidir entre comercializar o grão agora, aproveitando a firmeza da B3, ou aguardar o relatório do USDA de quarta-feira — que pode redesenhar o quadro de oferta global e influenciar os preços internos nas semanas seguintes.
O relatório do USDA será publicado na quarta-feira (12) e deve funcionar como divisor de águas para o comportamento do milho tanto em Chicago quanto nas bolsas brasileiras. Produtores, tradings e cooperativas de todo o Centro-Oeste aguardam os números para orientar estratégias de hedge e comercialização do que resta da safrinha 2025/26.
Fontes: USDA, CBOT, FARM FUTURES, B3