Granizo e vento ameaçam lavouras do Sul enquanto interior bate 37°C

Previsão indica acumulados de até 100 mm em Santa Catarina até sexta-feira, com risco de temporais que podem interromper operações agrícolas na região.

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A semana que começa nesta terça-feira (11) traz dois extremos climáticos simultâneos no Brasil: enquanto a Região Sul se prepara para enfrentar temporais com granizo e rajadas de vento intensas, o interior do país — incluindo boa parte do Centro-Oeste — segue dominado pelo calor seco, com máximas que podem bater 37°C em cidades como Cuiabá e Palmas. Para o produtor rural, o alerta é duplo: excesso de umidade em um extremo do país, estresse hídrico no outro.

A divergência reflete o avanço lento de uma frente fria que cruzou o Sul no fim de semana. Com a entrada de ar polar, a instabilidade voltou a se organizar sobre o Rio Grande do Sul e agora caminha progressivamente por Santa Catarina até alcançar a metade sul do Paraná. O movimento é gradual, mas concentrado — e os volumes previstos são expressivos o suficiente para preocupar quem tem lavoura no campo.

Temporais com granizo no radar do Sul

A meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, detalha o risco para os próximos dias. "A chuva vai conseguir avançar em Santa Catarina, até a metade sul do Paraná, aumentando novamente o potencial para alguns temporais, que podem vir com rajadas de vento e também com queda de granizo novamente", afirmou. O aviso é especialmente relevante para áreas com culturas expostas — como soja e milho em estágios críticos — onde o granizo pode causar danos irreversíveis em poucas horas.

Os acumulados de chuva previstos até esta sexta-feira devem ultrapassar 50 milímetros em diversas partes do Sul. Santa Catarina concentra os volumes mais expressivos, com estimativas próximas de 100 mm em algumas localidades. A combinação de solo encharcado com risco de tempestade também reduz a janela operacional para atividades como colheita, preparo de terreno e aplicação de defensivos. "Atenção, produtor, por conta desse excesso de umidade. Os trabalhos ficam mais prejudicados e também por conta desse maior risco de temporais ali na região", reforçou Cassoli.

Sudeste no meio do caminho — chuva moderada e frio na faixa leste

A frente fria avança de forma mais lenta pelo Sudeste, mas deixa marcas especialmente na faixa leste. São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo têm previsão de chuva com pancadas de intensidade moderada ao longo da semana. O litoral paulista e as áreas costeiras fluminenses e capixabas devem registrar os maiores volumes nessa região.

No interior paulista, a nebulosidade mais intensa derruba as temperaturas e aumenta a sensação de frio — cenário oposto ao da semana anterior, quando o calor predominava em todo o Sudeste. A mudança rápida de padrão exige ajustes no planejamento de campo para os produtores da região.

O outro lado: calor recorde ameaça MS e Centro-Oeste

Em Mato Grosso do Sul e no restante do Centro-Oeste, o quadro é de tempo seco e calor persistente. Com temperaturas máximas que devem superar os 35°C em várias localidades, o Estado segue na contramão do Sul. Cuiabá pode chegar a 37°C, enquanto Porto Velho deve registrar até 36°C nos próximos dias. Para MS, o calor excessivo combinado à baixa umidade do ar cria condições de estresse hídrico para pastagens e lavouras, além de elevar o risco de incêndios em vegetação seca.

O produtor sul-mato-grossense deve acompanhar os boletins meteorológicos regionais ao longo da semana — o contraste entre o excesso de umidade no Sul e o ressecamento no Centro-Oeste illustra bem a complexidade climática do Brasil em plena transição de estação. A orientação dos especialistas é planejar as operações agrícolas com margem de segurança, considerando tanto a volatilidade das chuvas quanto os efeitos do calor prolongado sobre as culturas em desenvolvimento.

Fontes: AMPERE METEOROLOGIA, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS