Uma novidade anunciada pela Meta para o WhatsApp — a possibilidade de criar um nome de usuário e conversar sem expor o número de telefone — acendeu o alerta do Procon de Três Lagoas (Procon-TL), que passou a orientar a população sobre como esse recurso pode ser explorado por golpistas para aplicar fraudes financeiras com identidades falsas de empresas e instituições.
A funcionalidade em si foi criada para proteger a privacidade de quem não quer compartilhar o número pessoal em grupos ou conversas. O problema, segundo o Procon-TL, é o efeito colateral: sem o número de telefone visível, fica mais difícil para a vítima verificar se está realmente falando com um canal oficial de um banco, operadora ou loja. O terreno fica fértil para fraudes que já custam bilhões de reais ao ano no Brasil.
Com o novo recurso, qualquer pessoa poderá criar um nome de usuário que imite, por exemplo, "Bradesco_Atendimento" ou "Correios_Suporte" — sem que o destinatário veja um número desconhecido para questionar. A lógica do golpe é simples: quanto mais legítimo o contato parecer, mais fácil convencer a vítima a entregar um código de verificação, senha ou dado bancário.
Essa modalidade se soma a golpes já conhecidos, como o do falso familiar em apuros e o do motoboy que vai buscar o cartão. A diferença agora é que a barreira de identificação — o número de telefone — pode deixar de existir, tornando a abordagem ainda mais convincente para pessoas menos familiarizadas com as práticas digitais.
A orientação do Procon-TL é direta: desconfie de qualquer contato que peça informações sensíveis — senhas, tokens, dados de cartão ou códigos enviados por SMS — independentemente de quem parece ser o remetente. Nenhuma instituição financeira séria solicita essas informações por mensagem.
Antes de responder qualquer solicitação suspeita, o consumidor deve encerrar a conversa e ligar diretamente para o número oficial da empresa, obtido no site ou no verso do cartão. Prints de tela, registros de conversa e comprovantes de transação devem ser guardados, pois são as principais provas em caso de investigação.
Quem for vítima deve agir rápido em duas frentes simultâneas. A primeira é contatar imediatamente a instituição financeira para bloquear contas, cartões e qualquer serviço que possa ter sido comprometido — cada minuto conta para limitar o prejuízo. A segunda é registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia Civil, levando todos os registros da fraude: capturas de tela, histórico de mensagens, comprovantes de pagamento e qualquer informação que ajude a identificar os responsáveis.
O Procon-TL pode ser acionado pelo telefone (67) 98139-3237 e funciona na sede administrativa municipal, na Avenida Antônio Trajano, nº 30, Centro, em Três Lagoas. A equipe orienta consumidores sobre direitos, registra denúncias e encaminha casos para os órgãos competentes. Com a nova funcionalidade do WhatsApp ainda sem data confirmada de lançamento no Brasil, o momento é de prevenção — e a informação é a melhor proteção disponível.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS