StoneX aposta em milho americano acima do USDA e desafia mercado

Corretora projeta colheita dos EUA em 16,16 bilhões de bushels, com rendimento superior ao da estimativa oficial, enquanto soja fica praticamente estável.

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A corretora de commodities StoneX divulgou nesta terça-feira, 4 de agosto, projeções que superam as estimativas oficiais do governo americano para a safra de milho dos Estados Unidos em 2026: a empresa prevê produção de 16,16 bilhões de bushels, com rendimento médio de 184,8 bushels por acre — números que ficam acima do que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) havia calculado até então.

A diferença pode parecer pequena em termos absolutos, mas no mercado de grãos, qualquer revisão para cima nas estimativas de oferta americana mexe com os preços globais — e isso inclui diretamente o bolso do produtor rural de Mato Grosso do Sul, Estado que figura entre os maiores exportadores de milho e soja do Brasil.

Milho americano com folga sobre a projeção do USDA

A última estimativa do USDA apontava para uma safra de milho de 16,0 bilhões de bushels, com rendimento médio de 183 bushels por acre. A StoneX, ao projetar 16,16 bilhões de bushels e 184,8 bpa, adiciona uma camada de otimismo que pressiona os preços da commodity para baixo nos mercados internacionais. Para os produtores de MS que ainda não venderam sua produção, o sinal de alerta é claro: uma oferta maior nos EUA tende a puxar as cotações do milho no Brasil.

O mercado acompanha com atenção porque os EUA são o maior produtor e exportador de milho do planeta. Qualquer variação nas suas projeções de safra reverbera diretamente nas bolsas de Chicago e, de lá, nas praças brasileiras como Dourados, Maracaju e Campo Grande, que são referência para negociações de milho no Centro-Oeste.

Soja quase estável, mas com detalhes que importam

No caso da soja, a StoneX projetou produção americana de 4,470 bilhões de bushels, com rendimento de 53,0 bushels por acre — praticamente empatada com a estimativa do USDA, que prevê 4,475 bilhões de bushels ao mesmo rendimento de 53,0 bpa. A ligeira diferença de 5 milhões de bushels para baixo na projeção da StoneX não deve provocar movimentos expressivos no mercado, mas reforça que o cenário da oleaginosa segue equilibrado.

Para o produtor sul-mato-grossense, que tem na soja sua principal fonte de receita, a estabilidade nas projeções é uma referência importante para o planejamento da próxima temporada. O Estado produziu mais de 11 milhões de toneladas de soja na safra 2023/24 e segue como protagonista no agronegócio nacional.

O que os números americanos significam para o produtor de MS

Mato Grosso do Sul depende diretamente do comportamento do mercado internacional de grãos. Quando as safras americanas superam as expectativas, o efeito imediato costuma ser a queda nas cotações externas — o que comprime a margem dos produtores brasileiros, especialmente aqueles que dependem da exportação para fechar seus custos de produção.

Por outro lado, um rendimento maior nos EUA também pode indicar boas condições climáticas globais, o que tende a favorecer a produtividade no Hemisfério Sul durante o plantio da safra 2025/26, prevista para começar nos próximos meses no Centro-Oeste brasileiro. As projeções da StoneX chegam em momento em que o setor agrícola de MS monitora de perto as janelas de plantio, os custos de insumos e as perspectivas de preço para tomar decisões sobre quanto e o que plantar na próxima temporada.

Fontes: STONEX, REUTERS