Soja dos EUA mantém qualidade estável, mas milho perde força no campo
Relatório semanal do USDA aponta que 63% das lavouras de soja seguem em boas condições, enquanto milho recua para 61% e pressiona cotações globais.
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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta segunda-feira (3) seu boletim semanal de acompanhamento de safra e confirmou um quadro de estabilidade para a soja americana, ao mesmo tempo em que identificou leve piora nas condições do milho. O cenário, que define o rumo das cotações em Chicago e impacta diretamente produtores de Mato Grosso do Sul, mantém o mercado atento ao clima do Meio-Oeste norte-americano neste agosto decisivo.
Para quem planta e vende grãos em MS, o que acontece nos campos do Iowa e do Illinois não é detalhe. O estado é um dos maiores exportadores de soja e milho do Brasil, e as variações nos estoques e na qualidade da safra americana se traduzem, rapidamente, em mudanças de preço nas mesas de negociação de Dourados, Maracaju e Campo Grande. Por isso, o relatório desta semana merece leitura cuidadosa.
Soja estável, mas ainda abaixo do desempenho de 202563% das lavouras americanas de soja foram classificadas como boas ou excelentes — número idêntico ao da semana anterior, sinalizando estabilidade. Outros 28% estão em condição regular, enquanto 7% foram avaliados como ruins e 2% como muito ruins. O ponto de atenção, porém, fica na comparação anual: no mesmo período de 2025, a fatia de lavouras boas ou excelentes chegava a 69%, seis pontos percentuais acima do índice atual.
O desenvolvimento do ciclo avança em ritmo acelerado. O florescimento já foi registrado em 88% das áreas, ante 80% na semana anterior e 84% no mesmo período do ano passado. A formação de vagens também deu um salto considerável, atingindo 62% das lavouras — contra 47% na semana passada, 56% há um ano e 55% da média histórica de cinco anos. O ritmo acima da média histórica é, por ora, o principal argumento a favor de uma safra cheia nos EUA.
Milho perde qualidade e acende alerta no mercadoA cultura do milho apresentou deterioração nas avaliações de qualidade. A proporção de lavouras em condições boas ou excelentes recuou de 63% para 61% em uma semana, enquanto as áreas classificadas como ruins ou muito ruins avançaram de 12% para 14%. A comparação com 2025 é ainda mais desfavorável: há um ano, 73% das lavouras americanas de milho estavam nas categorias positivas, diferença de 12 pontos percentuais em relação ao cenário atual.
Mesmo assim, o ritmo de desenvolvimento mantém-se à frente da história. O pendoamento foi concluído em 90% das áreas, superando os 78% da semana passada e os 87% da média dos últimos cinco anos. O enchimento de grãos também segue em marcha acelerada. O paradoxo — avanço de ciclo com queda de qualidade — é justamente o que mantém os analistas de olho nas condições climáticas das próximas semanas, período considerado crítico para a definição do potencial produtivo da oleaginosa.
Reflexos para o produtor de Mato Grosso do SulNa prática, uma safra americana volumosa e com desenvolvimento acima da média histórica tende a pressionar os preços internacionais para baixo, reduzindo as margens dos produtores brasileiros — que competem diretamente com os americanos no mercado externo. Em Mato Grosso do Sul, onde a soja ocupa papel central na economia do Cone Sul e do estado como um todo, esse cenário exige atenção redobrada na hora de fechar contratos de venda antecipada.
Nesta mesma segunda-feira, no entanto, ambas as commodities fecharam o dia em alta na Bolsa de Chicago, impulsionadas por tensões geopolíticas que sobrepuseram, momentaneamente, o sinal baixista dos fundamentos de oferta. O mercado físico de soja no Brasil também registrou firme negociação, apoiado pela alta do dólar e pela retomada de Chicago. Para agosto, o foco permanece nas condições climáticas do Meio-Oeste americano, que ainda podem alterar significativamente as projeções para a safra 2026/27.
Fontes: USDA